Ministro da CGU nega demora em apuração de fraudes no INSS
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Ministro da CGU nega demora em apuração de fraudes no INSS

Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS - 2025 (CPMI - INSS) realiza oitiva do ministro de Estado da Controladoria Geral da União (CGU).
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS - 2025 (CPMI - INSS) realiza oitiva do ministro de Estado da Controladoria Geral da União (CGU).

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ministro da CGU  à CPMI que auditorias e operação com a PF foram realizadas em menos de um ano

O ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Vinícius de Carvalho, negou nesta quinta-feira (2) que tenha havido demora na apuração de fraudes em benefícios do INSS. Ele depôs à CPMI que investiga os descontos irregulares em aposentadorias e pensões.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

“Discordo de qualquer pessoa que diga que a CGU, na atual gestão, demorou. Foi feita uma auditoria com três relatórios e a investigação da Polícia Federal em menos de um ano. Desde que começamos isso, no começo de 2024, até o primeiro pedido da Polícia Federal ao Judiciário, em dezembro ainda de 2024, é menos de um ano”, afirmou.

A Operação Sem Desconto, deflagrada em abril, revelou o esquema e estimou prejuízo de R$ 6 bilhões. “Uma operação que envolveu quase 300 servidores da CGU e 800 policiais. Se isso não é investigar com rapidez, com presteza e com eficiência, eu não sei o que é. E 90 dias depois da operação nós já estávamos começando o ressarcimento dos aposentados e pensionistas. Isso não é pouca coisa”, disse Carvalho.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), questionou por que denúncias feitas desde 2016 só resultaram em providências a partir de 2024. “A principal pergunta que nós queremos ter respondida é por que as denúncias começaram já em 2016, ampliaram em 2022, chegaram em grande quantidade em 2023 e providências só foram tomadas em 2024”, disse.

Carvalho afirmou que não levou as informações ao Executivo por se tratar de inquérito sigiloso. “Era a minha obrigação funcional não revelar dados que pudessem ser utilizados numa investigação para ninguém. Eu mesmo tinha acesso a quase nada do que era investigado”, declarou.

Descontos associativos

Questionado sobre a legalidade dos descontos associativos, o ministro disse que o modelo atual facilita fraudes. “Os relatórios da CGU apontam que sem um sistema de biometria, um sistema de fiscalização adequado que garanta a integridade de todo esse processo não é possível garantir que os descontos associativos sejam imunes às fraudes. Eu concordo com essa visão”, afirmou.

Ele declarou ainda ser favorável à suspensão até que haja garantias de segurança. “Concordo com a visão de manter suspensos [os descontos] até que ou se decida por não realizá-los ou se constitua um sistema que gere uma imunidade para que esses descontos sejam adequados”, completou.

Tensão na sessão

Durante os trabalhos, houve embate entre o presidente da CPMI e o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). O parlamentar se exaltou em meio à discussão de um requerimento e foi repreendido por Carlos Viana. “No grito, aqui ninguém vai ganhar nada. Vou pedir à Vossa Excelência que, todas as vezes que for se manifestar, o senhor não suba o tom de voz comigo”, disse o senador.

A sessão foi suspensa por cinco minutos. Ao retornar, Pimenta pediu desculpas. “Gostaria que o senhor me desculpasse, porque sempre me tratou com respeito.” Viana aceitou o pedido e encerrou o impasse: “Está perdoado, deputado. Vamos seguir com os trabalhos”.

 

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade