Mendonça diz que lucro de sua empresa irá para dízimo e obras sociais
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Mendonça diz que lucro de sua empresa irá para dízimo e obras sociais

Ministro do STF disse que medida é compromisso como pastor e homem público

Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Por Redação

O ministro do STF, André Mendonça, afirmou nas redes sociais que os lucros e dividendos de sua empresa, o Instituto Iter, voltado a cursos na área jurídica, serão destinados ao dízimo da igreja, a obras sociais e a ações na área de educação.

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A decisão foi anunciada no último dia 8, durante culto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo.

Mendonça, que também é pastor na instituição, pregava sobre Abraão, que construía tendas e altares nos locais por onde passava: “Ao mesmo tempo em que parava e construía uma tenda, ele construía um altar de adoração a Deus”.

“À luz desse texto, eu com a minha esposa e sob as bênçãos dos meus filhos, decidimos que a nossa parte do Instituto Iter será para consagração de um altar a Deus. Tudo aquilo que um dia eu e a Janey fizermos por direito… nós nunca tivemos participação de lucro e resultado. Tudo que ganhei até hoje ali foi para dar aula. Mas tudo que o vier possivelmente a dar de lucro e resultado, vou separar 10% para o dízimo e os 90% restantes serão investidos em obras sociais e educação. Nada será tomado para mim”, afirmou o magistrado.

Durante a pregação, disse ainda que ficaria incomodado se subisse ao púlpito e se sentisse “vulnerável diante dos homens”: “Esse compromisso que faço é mais por meu papel como pastor da igreja, para dar testemunho da igreja. As tendas que Deus vai me dar são do meu salário do Supremo e da minha atividade estrita como professor. Qualquer participação de lucro e resultado será o meu altar diante de Deus, e como testemunho perante a sociedade de que um servo de Deus abre mão de tesouros na Terra para juntar tesouros no Céu”.

O anúncio ocorre em meio à discussão no STF sobre a adoção de um código de ética para os ministros e a questionamentos sobre rendimentos obtidos por meio de empresas. Pela Lei Orgânica da Magistratura, juízes podem ser acionistas ou cotistas, mas não podem exercer função de gestão.

Dos 10 ministros atuais do STF, 9 têm empresas em sociedade com parentes, principalmente em áreas como advocacia, educação jurídica e mercado imobiliário.

No culto do dia 8, antes de assumir a relatoria do caso Master, Mendonça afirmou ter ficado “triste e aborrecido” com reportagens sobre o Iter e disse ter se perguntado se o projeto seria “mal interpretado pela sociedade” e como a igreja reagiria às críticas.

“Me seria lícito auferir resultados de possíveis lucros que o instituto desse. Não estou dizendo que não é lícito. É lícito. Mas pesa sobre mim duas coisas. Uma delas é a posição que ocupo hoje na esfera pública. A segunda delas e mais importante, é a posição como ministro do Evangelho”, disse.

Ele contou que idealizou o Iter após concluir mestrado na Espanha, em 2013, com o objetivo de capacitar gestores públicos. A organização da empresa ocorreu depois de sua posse no STF, em 2021.

Ao final, afirmou que todos estão sujeitos a erros, mas que suas atitudes têm repercussão institucional. “Mas hoje eventuais tropeços do André, do ministro e do pastor, repercutem em toda a igreja. E eu preciso dar bom testemunho. Eu tenho um compromisso com Deus, meus irmãos, que se um dia for para eu dar mau testemunho, que Deus me leve antes”, declarou.

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