Eduardo Bolsonaro gravou vídeo com um discurso de conciliação. De uma perspectiva histórica, “nacional e não partidária”, elogiou o Império, a Era Vargas, os anos JK e o período militar. “Deixaram legados importantes”, disse. “Não dá para dizer que tudo foi trevas”, ponderou. Rendeu-se até a Jango, derrubado em 1964. “É injusto negar que muitas de suas propostas buscavam responder a anseios populares.”
Mesmo sem entender, a militância bolsonarista elogiou o discurso de ‘estadista’ do 03, que parece tentar se cacifar para substituir o pai nas urnas em 2026. Antes do vídeo, posou para a capa da Veja, numa articulação de Fábio Wajngarten, injustamente escanteado por Michelle Bolsonaro. O ex-secretário de Comunicação está fazendo o que fez com o próprio Bolsonaro a partir de 2016, abrindo espaço na mídia e suavizando sua imagem.
Eduardo já é bastante conhecido, mas quer ser respeitado, na politica e dentro do PL. O discurso mira, não só lideranças e partidos de centro-direita e centro, mas o próprio Valdemar Costa Neto. O cacique vê potencial em Michelle e colocou toda a estrutura partidária a seu dispor, mas tem ressalvas sobre o deputado licenciado. Tanto que não ofereceu qualquer suporte financeiro para sua estada nos EUA.
A falta de apoio levou Jair Bolsonaro a tirar do próprio bolso para ajudar o filho, dando azo a um novo inquérito pedido pelo PT e que pode levá-lo para a cadeia mais cedo sob acusação de obstrução de justiça. “Dessa eu escapei”, deve ter dito Valdemar a si mesmo, depois de ser obrigado por Alexandre de Moraes a pagar R$ 22 milhões de multa por questionar o resultado eleitoral de 2022.
Acho difícil, portanto, que um vídeo emocione o velho cacique. Mais difícil ainda que lideranças de centro, como Gilberto Kassab, se sensibilizem com o exílio de Eduardo.
Ninguém acredita na nova postura diplomática do 03 — o elogio a João Goulart soou exagerado. Melhor o deputado seguir combatendo o sistema de fora, articulando sanções contra censuradores, usando a favor do Brasil a força do alinhamento atual das Big Techs com Trump para garantir o retorno do país à normalidade democrática.
Se o respeito não vem pela admiração, que venha pelo medo.
