Mauro Vieira: Brasil tem que 'virar as costas' a sanções dos EUA contra Moraes - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Mauro Vieira: Brasil tem que ‘virar as costas’ a sanções dos EUA contra Moraes

Mauro Vieira
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Por Isac Mascarenhas

O chanceler brasileiro Mauro Vieira afirmou nesta segunda-feira (7) que, caso o governo de Donald Trump imponha sanções contra Alexandre de Moraes, o Brasil deve não dar importância. Virar as costas e seguir”. Ele questionou a utilidade de uma reação enérgica, perguntando: “O que o Brasil poderia fazer? Virar a cara, dizer que está zangado?”.

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A fala foi dada após Trump afirmar que Bolsonaro sofre perseguição política. Apesar da postura de indiferença, o diplomata acredita que tais sanções “não virão. Porque não tem cabimento. As leis americanas são aplicadas nos EUA. As leis brasileiras são aplicadas no Brasil”.

Deputados republicanos, incentivados por Eduardo Bolsonaro, têm articulado sanções a Moraes, citando que o ministro está cerceando a liberdade de expressão de empresas norte-americanas no Brasil.

Em entrevista à Folha de S. Paulo na sexta-feira (4) – antes das recentes postagens de Trump –, Mauro Vieira já havia rebatido as acusações de que Moraes seria um ditador. “Eles argumentam. Mas [Moraes] não é [ditador]. Simplesmente não é. Precisam se informar melhor”, disse.

Vieira também afirmou que o governo brasileiro deixou claro às autoridades dos EUA que não concordará com sanções ao magistrado. Ele explicou que a embaixada brasileira em Washington, chefiada por Maria Luiza Ribeiro Viotti, esclareceu que “não há extraterritorialidade das decisões judiciais em geral, e do Supremo muito menos”.

Vieira finalizou ressaltando a importância dos EUA como país, mas reforçou a soberania jurídica do Brasil. “Os EUA, independente de quem esteja no poder, são um país enorme, importante, com gente inteligente e competente”, afirmou.

“Todas as empresas americanas que estão aqui, há uma miríade de empresas americanas, desde empresas de aviação até investimentos em todas as áreas, mineração, o que for, têm que respeitar [as leis brasileiras]”, concluiu Mauro Vieira, citando o exemplo de empresas que devem pagar direitos trabalhistas e cumprir decisões judiciais.

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