Marsiglia critica pedido de condenação de Bolsonaro: 'Ofensa à individualização da conduta' - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Marsiglia critica pedido de condenação de Bolsonaro: ‘Ofensa à individualização da conduta’

Foto: Reprodução/YouTube @ClaudioDantasOficial

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Por Isac Mascarenhas

O jurista André Marsiglia fez uma análise do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus no processo que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Para o especialista em Direito Constitucional, a acusação se baseia em condutas protegidas pela liberdade de expressão e em instrumentos legais, afastando, na sua visão, a caracterização de crimes.

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A PGR pediu nesta segunda-feira (14) ao STF a condenação de Bolsonaro e dos demais réus apontados como integrantes do “núcleo central da trama golpista. A acusação afirma que Bolsonaro teria atuado como “líder da organização criminosa” e “principal articulador”, instrumentalizando o cargo para minar a ordem constitucional.

Marsiglia argumenta que a acusação se fundamenta em dialogarem, fazerem interlocuções e atacarem verbalmente as instituições democráticas. Para ele, issonão é crime, pois protegido pela liberdade de expressão”.

O jurista também questiona a criminalização da minuta de decreto com finalidade antidemocrática, apontando que “o decreto é um instrumento legítimo, previsto na CF, e ainda que sua finalidade não fosse lícita, ele não foi posto em prática, não podendo, portanto, ser uma conduta criminalizada”.

Marsiglia também criticou a justificativa da PGR que liga Bolsonaro aos manifestantes do dia 8 de janeiro. “Gonet justifica ainda sua tese em Bolsonaro ser o líder ‘enaltecido’ pelos manifestantes do dia 8, que refletiram o ‘discurso radical e recorrente do ex-presidente, baseado em alegações infundadas de fraude nas urnas eletrônicas’. Ou seja, se alguém repetir o meu discurso, serei culpado pelo que esse alguém fizer? Isso é uma ofensa à obrigação de individualização da conduta”, pontua.

O jurista conclui que “a acusação é de terem os réus usado a liberdade de expressão em um país tomado pelo autoritarismo. Se levada a sério, a própria narrativa da PGR afasta os crimes de que acusa os réus”.

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