Líder da oposição cobra “coerência institucional” após declarações sobre endurecimento de penas e anistia
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), criticou nesta quarta-feira (17) declarações do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e afirmou que autoridades públicas precisam manter coerência entre discurso e atuação institucionaL.
Em publicação nas redes sociais, Marinho acusou o chefe da PF de extrapolar suas atribuições ao comentar debates em curso no Congresso Nacional. Para o senador, a manifestação compromete a imparcialidade da instituição.
“Não é admissível que o diretor da Polícia Federal — instituição que deve servir ao Estado, e não a projetos pessoais ou políticos — se comporte como comentarista político ou tente influenciar a atuação do Poder Legislativo. Tal postura depõe contra a própria instituição e compromete a necessária imparcialidade que deve nortear a atuação da polícia judiciária”, escreveu.
Durante a cerimônia de posse do novo superintendente regional da Polícia Federal no Distrito Federal, em Brasília, o diretor-geral afirmou que autoridades dos Três Poderes precisam alinhar discurso e prática ao tratar de política criminal.
“Não vale pregar endurecimento de pena, proibir benefícios constitucionalmente previstos e, na hora da prática, fazer outra coisa, como, por exemplo, propor anistia ou afrouxamento de penas para quem comete crime organizado”, declarou Andrei.
O dirigente da PF reforçou que a incoerência institucional enfraquece o sistema de Justiça e compromete a credibilidade das decisões públicas.
Segundo ele, é dever das autoridades agir com responsabilidade ao tratar de temas sensíveis como punição e progressão de penas.
A fala ocorre em meio à discussão do Senado sobre o chamado PL da Dosimetria, projeto que altera critérios para o cálculo e a progressão de penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
