Márcio Coimbra: “Vergonha internacional” sanção dos EUA a Moraes - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Márcio Coimbra: “Vergonha internacional” sanção dos EUA a Moraes

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Por Adrian Almeida

Analista vê risco à democracia e critica abusos do Supremo

O analista internacional Márcio Coimbra classificou como uma “vergonha internacional” a inclusão do ministro Alexandre de Moraes na lista de sanções da Lei Global Magnitsky pelos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta quarta-feira (30), durante participação no programa ALive.

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Segundo Coimbra, a presença de um ministro do Supremo na mesma relação que reúne nomes ligados a regimes autoritários mostra o desgaste da imagem brasileira no cenário internacional.

“É uma vergonha, eu estava vendo aqui a lista, a gente tem nomes de Mianmar, da China, da Rússia, da Nicarágua, ou seja, das piores ditaduras do mundo são os nomes que estão nessa lista. Então, é realmente uma vergonha para o nosso país, é uma vergonha internacional nós termos um ministro da Suprema Corte envolvido em algo onde somente estão envolvidos terroristas, torturadores, pessoas que realmente não valorizam e não estão ao lado do Estado de Direito”, afirmou.

O analista ressaltou que a legislação americana atinge pessoas que atacam liberdades individuais e desrespeitam direitos humanos, o que se reflete no atual cenário brasileiro.

“Alguém que não respeita direitos humanos, que não respeita a democracia, é isso que essa lei pega, sabe? Pessoas que são terroristas, pessoas que organizam ataques, que desprezam a democracia, que organizam torturas, que organizam todas as situações de desrespeito aos direitos humanos. E o que a gente tem visto nos últimos anos no Brasil? Um desrespeito aos direitos humanos, desrespeito às famílias, aos pais de família presos,”, questionou.

Para Coimbra, a decisão dos EUA é um recado claro sobre a postura do Brasil em relação às liberdades democráticas.

“Eu acho que quando a maior democracia do mundo aponta o dedo para o Brasil, para uma pessoa e diz, olha, você está equiparado a torturadores chineses, a criminosos russos, a pessoas que têm tanto a acontecer, tantas coisas acontecendo ao redor do mundo, fazendo tantas coisas ruins em tantos países”, disse.

O especialista ainda falou que chegou a ser barrado por regimes autoritários devido à sua defesa da democracia.

“Eu estava em El Salvador e a Nicarágua me proibiu de viajar ao país, eu com passagem comprada para o dia seguinte. Por quê? Porque lá não se aceita democracia, lá não se aceita o respeito à opinião alheia, à liberdade de expressão, ao Estado de Direito e o Brasil, infelizmente, dá um passo triste em relação ao desprezo às liberdades individuais”, acrescentou.

Em sua análise, Coimbra pontuou que a defesa dos direitos humanos é um princípio liberal e que as sanções expõem a contradição de setores que se dizem progressistas, mas apoiam regimes autoritários.

“Você sabe o que são direitos humanos? Direitos humanos é o seguinte, é todo direito que o cidadão tem de se defender da arbitrariedade do Estado, não existe nada mais liberal do que se falar em direitos humanos e não existem pessoas mais antagônicas aos direitos humanos do que aquelas que se dizem de esquerda e defendem ditaduras e sistemas autocráticos e autoritários”, argumentou.

Assista ao programa na íntegra:

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