Diálogo entre Brasil e EUA foca em comércio; pedidos políticos sobre Bolsonaro estão descartados
O governo Lula avalia que todos os temas comerciais estão abertos a negociação com os Estados Unidos, incluindo o acesso a minerais estratégicos e a regulação de grandes plataformas digitais. Reivindicações políticas dos americanos, como interferência no Judiciário para favorecer Jair Bolsonaro, estão descartadas, segundo apuração do O Globo.
Lula e Trump tiveram breve encontro nesta terça-feira, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Uma reunião formal, provavelmente remota, deve ocorrer nos próximos dias. Até agora, não houve pleitos econômicos formais por parte dos Estados Unidos.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os líderes devem discutir “coisas que realmente importam”, citando integração econômica e investimentos mútuos. Ele destacou que acordos em andamento sobre transformação produtiva, energia limpa, minerais raros e biocombustíveis podem ser retomados.
No Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, responsável pelas negociações, avalia-se que o governo Trump deve priorizar a regulação das plataformas digitais. A gestão americana se posiciona contra qualquer moderação de conteúdo que possa ser interpretada como censura.
Após Lula anunciar um projeto de regulação das big techs, o governo recuou e decidiu enviar ao Congresso apenas regras econômicas para as plataformas. Segundo a reportagem, o entorno presidencial considera que avanços recentes, como a responsabilização legal das plataformas por conteúdos ilícitos, podem reduzir crimes e desinformação.
Os Estados Unidos manifestaram interesse em minerais estratégicos, como lítio, nióbio e terras raras, essenciais para baterias, turbinas eólicas e eletrônicos. Em julho, o encarregado de negócios americano em Brasília, Gabriel Escobar, transmitiu a demanda ao setor de mineração brasileiro. O ex-ministro Raul Jungmann relatou a mensagem ao vice-presidente Geraldo Alckmin.
Lula admitiu publicamente a possibilidade de negociação de minerais críticos, ressaltando que a questão será tratada como soberania nacional. “Isso não significa que não podemos negociar com outros países ou permitir que empresas estrangeiras explorem minerais críticos”, disse o presidente.
