Presidente criticou a base no Congresso e adotou tom cauteloso diante dos EUA
O presidente Lula disse neste domingo (3) que não pode governar com ressentimento, mas que não esqueceu do Mensalão e da Lava Jato. O chefe do Executivo lembrou de quando parte da população e do Congresso pedia o fim da legenda.
“Vocês estão lembrados do que aconteceu conosco no Mensalão”, afirmou o presidente no 17º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizado em Brasília. “A gente não toca no assunto, mas ninguém esqueceu. Eu não esqueci o que aconteceu comigo na Lava Jato, mas eu não posso voltar para governar com o coração magoado, com ódio.”
Ele saudou nominalmente Delúbio Soares, João Vaccari Neto e José Dirceu como figuras respeitadas mesmo após condenações no Mensalão e na Lava Jato.
“E eu queria dizer para vocês que eu estou feliz que o companheiro Delúbio está presente aqui nessa plenária. Estou feliz que acho que o Vaccari está aqui nessa plenária. Acho extremamente importante a volta do Zé Dirceu para a direção nacional do PT. Acho que o companheiro Genoino deveria estar nessa também.”
Lula destacou que a exaltação do PT não basta, e que é preciso reconhecer falhas do passado para evitar repeti-las: “Quando a gente faz a exaltação do PT é muito bonito porque a gente conquista aplausos, mas se a gente também não comentar os erros que nós fizemos, a gente pode continuar cometendo esses erros.”
Defendeu que o partido busque uma base parlamentar mais sólida. “Se depender só de nós ou de quem nos apoia, não aprovamos nada no Congresso. Quando mando uma MP Medida Provisória, mando sabendo o número de votos que tenho.”
Sobre as relações com os Estados Unidos, afirmou que o Brasil não pode esquecer episódios do passado nem depender exclusivamente do dólar.
“Eu também não vou esquecer que eles já deram golpe aqui, ajudaram a dar golpe. Mas o que eu quero saber é daqui para frente o que eu faço? E daqui para frente eles têm que saber que nós temos o que negociar.”
Reafirmou uma postura de coordenação diplomática: “Nessa briga que a gente está fazendo agora com a taxação dos Estados Unidos, eu tenho um limite de briga com o governo norte‑americano. Eu não posso falar tudo o que acho que devo falar. Eu tenho que falar o que é possível falar.”
Invocou o expoente artístico Chico Buarque para sublinhar a ambição de igualdade política internacional: “Eu gosto do PT porque ele não fala fino com os Estados Unidos nem grosso com a Bolívia […] Essa é a lógica da política: a gente fala em igualdade de condições com todos.”
