Presidente afirmou que “quer que ele veja” a primeira-dama em futura reunião com o líder americano
O presidente Lula disse nesta segunda-feira (29) que pretende levar a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, para um futuro encontro com Donald Trump. A reunião com o presidente dos Estados Unidos ainda não tem data definida. A fala ocorreu durante a abertura da 5ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, em Brasília.
No discurso, Lula mencionou a ex-mulher, Marisa Letícia, morta em 2017, ao lembrar da fundação da CUT, e em seguida fez referência à atual esposa.
“Eu brinco muito com a Janjinha dizendo para ela que a Unesco já me deu uns dez prêmios para ela de mulher mais bem casada do planeta Terra. E quando eu for conversar com Trump, eu vou levá-la. Eu quero ele veja” afirmou Lula.

A possibilidade de conversa entre os dois presidentes surgiu após um rápido encontro de cerca de 30 segundos durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na semana passada. Segundo o Itamaraty, a ideia inicial era organizar a reunião por telefone ou videoconferência. O objetivo era evitar constrangimentos semelhantes aos que Trump já causou a outros líderes, como Volodymyr Zelensky e Cyril Ramaphosa, em visitas à Casa Branca.
Lula no evento para mulheres
Na abertura do evento, Lula também sancionou a lei que amplia a licença-maternidade em até 120 dias após a alta hospitalar da mãe e do recém-nascido.
O presidente citou ainda a lei da igualdade salarial entre homens e mulheres, dizendo que sua aplicação enfrentará resistência.
“Entre a gente aprovar uma lei, a gente regulamentar e as mulheres começarem a receber o salário igual vai ter muita briga, vai ter muito processo, vai ter muita Justiça porque é difícil você fazer as pessoas mudarem de hábito quando se trata de colocar um pouquinho de din din na mão do povo trabalhador” disse.
Antes de discursar, Lula ouviu pedidos de representantes de movimentos feministas. As pautas incluíram ampliação do aborto legal, cotas para mulheres e pessoas trans no Concurso Nacional Unificado e indicação de mulheres e travestis ao Supremo Tribunal Federal. Hoje, apenas a ministra Cármen Lúcia integra a Corte.
Lula descumpre promessa e abre espaço menor para mulheres
Durante a campanha, Lula prometeu ampliar a participação feminina em ministérios, no Judiciário e na política externa. Na prática, as escolhas priorizaram homens para os cargos de maior peso.
No Supremo Tribunal Federal, após a saída de Rosa Weber, o presidente indicou Cristiano Zanin e Flávio Dino, deixando apenas Cármen Lúcia como única ministra na Corte. Também preferiu homens para a Procuradoria-Geral da República e para o comando do Itamaraty, além de indicar embaixadores homens para liderar fóruns internacionais como o G20, a Cúpula do Brics e a COP30.
Na Esplanada, a contradição ficou mais evidente com a substituição de mulheres por homens em pastas estratégicas. Daniela Carneiro deixou o Turismo para dar lugar a Celso Sabino; Ana Moser foi trocada por André Fufuca no Esporte; e Nísia Trindade saiu da Saúde, assumida por Alexandre Padilha. No caso do Ministério das Mulheres, Cida Gonçalves foi exonerada e substituída por Márcia Lopes.

Hoje, entre 38 ministérios e órgãos com status equivalente, apenas nove são ocupados por mulheres. A maioria concentra-se em áreas de menor orçamento e menor poder político, como Cultura, Povos Indígenas, Igualdade Racial e Direitos Humanos. As exceções são Marina Silva, no Meio Ambiente, e Simone Tebet, no Planejamento, mas a condução da política econômica continua nas mãos de Fernando Haddad.
Mesmo após as trocas, as duas mulheres que exercem influência direta sobre o presidente são de confiança pessoal: a primeira-dama, Janja, e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Nenhuma ocupa ministério, mas ambas têm forte peso nas decisões políticas.
