Folha: Lula semeou desaceleração econômica no mandato
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Folha aponta que Lula “semeou desaceleração econômica” no fim do mandato

Lula discursa na Assembleia Geral da ONU
Lula discursa na Assembleia Geral da ONU.

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Por Marília Rodrigues

Em seu editorial, jornal critica políticas fiscais e alerta para ambiente desfavorável ao crescimento

O jornal Folha de S. Paulo publicou editorial nesta segunda-feira (29) no qual atribui ao presidente Lula a responsabilidade pela desaceleração econômica observada no país. O texto sustenta que medidas adotadas pelo governo ampliaram a carga tributária, elevaram a intervenção estatal e comprometeram a confiança do mercado.

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Segundo o editorial, a política fiscal conduzida por Lula priorizou aumento de gastos e postergação de reformas, o que teria deixado a economia mais vulnerável a pressões inflacionárias e à estagnação. “O presidente colheu os frutos de um cenário internacional favorável, mas semeou condições de baixo crescimento interno”, afirma o texto.

Críticas à condução econômica

O jornal destaca que a ampliação de despesas obrigatórias e a dificuldade em conter o déficit público reduziram o espaço para investimentos. O diagnóstico é de que o Planalto optou por soluções de curto prazo, elevando impostos e transferindo custos ao setor privado.

Ainda de acordo com o editorial, a falta de avanços em reformas estruturais — como a administrativa e a tributária ampla — e a insegurança gerada por conflitos entre Executivo e Supremo Tribunal Federal também afetam a confiança de investidores.

O texto aponta que a próxima gestão terá de lidar com um quadro de menor dinamismo, inflação persistente e ambiente de negócios fragilizado, onde o desafio será “recuperar a credibilidade fiscal e devolver previsibilidade ao mercado”.

Inflação acima da meta, juros e desaceleração

Na última semana, o Banco Central divulgou relatório onde reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2025 de 2,1% para 2,0% e manteve a indicação de que a inflação seguirá acima do centro da meta de 3% até o início de 2028.

Além disso, o indicador de Incerteza da Economia (IIE-BR), monitorado pela Fundação Getúlio Vargas, mostrou oscilações em setembro que costumam indicar um adiamento nas decisões de investimento do setor privado.

O doutor em economia e professor do Ibmec de Belo Horizonte Claudio Shikida comentou, com exclusividade para este portal o relatório do BC. Para o especialista, a busca por um ajuste fiscal pautado em arrecadação vai piorar ainda mais o ambiente de negócios: “Você tem um governo que está no caminho de sempre, do arcabouço fiscal, que só aumenta receita e não diminui gastos”, afirmou.

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