Lula cobra entrega de Ramagem pelos EUA
Brasília, Sábado, 18 de julho de 2026
Política

Lula cobra entrega de Ramagem pelos EUA

Presidente diz que Brasil está disposto a cooperar no combate ao crime organizado

Ramagem
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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Lula afirmou hoje (29) que os Estados Unidos deveriam colaborar com o Brasil entregando investigados e condenados que vivem em território americano. A declaração foi feita um dia após Washington anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

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“O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado e vamos começar pelo seu estado, o Delaware, que tem lavagem de dinheiro de brasileiro. Vamos começar por aí, vamos começar por entregar o [Alexandre] Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido lá”, declarou.

Durante discurso, Lula afirmou que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação entre os dois países. O presidente voltou a citar também o empresário Ricardo Magro, ligado ao grupo Refit.

“Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país, o Ricardo Magro. Eu entreguei pro Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão nos EUA”, disse.

As declarações ocorreram em meio à reação do governo brasileiro à decisão anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. O Planalto avalia que a classificação das facções como organizações terroristas pode abrir espaço para questionamentos sobre a soberania nacional e possíveis medidas unilaterais de Washington.

Lula afirmou ainda que tratou do tema diretamente com o presidente norte-americano, Donald Trump, durante encontro realizado neste mês.

“Não aceitamos ser tratados como moleques, como se fosse uma republiqueta. Entreguei quatro documentos a ele [Trump]”, afirmou.

Na mesma fala, o presidente criticou o senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve recentemente nos Estados Unidos e defendeu o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

“Seu Marco Rubio não estava lá, possivelmente porque estivesse preparado para ajudar o filho de um bolsonarista, que é candidato à eleição nesse país, que não tem vergonha na cara de trair nossa pátria, de ir aos EUA pedir intervenção americana no Brasil”, declarou.

O anúncio da classificação das facções foi feito na quinta-feira (28) pelo governo norte-americano. A medida foi divulgada após reunião entre Flávio Bolsonaro e autoridades dos Estados Unidos, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio.

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