Ministro da Justiça diz que extradição de Ramagem segue pendente de resposta dos EUA
Brasília, Sábado, 18 de julho de 2026
Política

Ministro da Justiça diz que extradição de Ramagem segue pendente de resposta dos EUA

Wellington César Lima e Silva afirmou na Câmara que prisão do ex-deputado nos Estados Unidos ocorreu por questões migratórias e não por pedido formal do Brasil

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou nesta quarta-feira (27) que o pedido de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem ainda aguarda manifestação oficial das autoridades dos Estados Unidos.

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A declaração foi dada durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, convocada para discutir a atuação da Polícia Federal (PF) no caso envolvendo a detenção de Ramagem em território norte-americano.

Segundo o ministro, o processo de extradição solicitado pelo Brasil tramita desde dezembro no Departamento de Estado dos EUA, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante a audiência, Lima e Silva afirmou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano, em abril deste ano, não ocorreu em razão do pedido de extradição brasileiro, mas por questões relacionadas à legislação migratória dos Estados Unidos.

“A detenção que ocorreu em abril pelo ICE não decorreu do pedido de extradição, decorreu de implicações correlatas à política imigratória americana”, declarou o ministro.

Ramagem foi detido em Orlando, onde vivia desde o ano passado. Segundo sua defesa, ele estava com o visto vencido e já havia protocolado pedido de asilo político nos Estados Unidos. Dois dias depois da prisão, acabou liberado pelas autoridades americanas.

O ministro também negou participação operacional da PF brasileira na ação conduzida pelo ICE, agência de imigração dos EUA.

“Todos os atos operacionais, tais quais abordagem, detenção, custódia e encaminhamento para deportação teriam sido integralmente executados por autoridade americana. Não houve qualquer participação do oficialato da Polícia Federal em atividades operacionais ou decisórias”, afirmou.

A detenção e posterior soltura do ex-parlamentar abriram uma nova frente de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Após o episódio, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado norte-americano, acusou um delegado brasileiro de tentar contornar os canais formais de extradição e estender uma suposta “perseguição política” ao território americano.

O delegado citado era Marcelo Ivo de Carvalho, oficial de ligação da Polícia Federal em Miami. Segundo o ministro, o agente foi chamado de volta ao Brasil por determinação da própria direção-geral da PF para apuração interna dos fatos.

“O retorno do oficial do Brasil se deu por ordem da própria direção-geral da Polícia Federal para apuração interna dos fatos”, disse Wellington Lima e Silva.

Durante a audiência, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) criticou a ausência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em convocações anteriores da comissão e questionou o ministro sobre uma eventual responsabilização da cúpula da PF no episódio.

Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos e um mês de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado e é considerado foragido da Justiça brasileira desde que deixou o país antes da conclusão do julgamento.

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