Justiça dos EUA revela novas conexões entre Lava Jato e contratos recentes da Petrobras
Brasília, Sexta, 10 de julho de 2026
Política

Justiça dos EUA revela novas conexões entre Lava Jato e contratos recentes da Petrobras

Petição apresentada em Nova York aponta fluxos financeiros recentes ligados a personagens centrais da Odebrecht

Jorge Barata. Foto: Reprodução.

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Por Redação

Uma petição apresentada à Justiça de Nova York trouxe à tona novas evidências financeiras que podem ter impacto no Brasil. Embora o processo trate de investigações no Peru sobre a concessão da Rutas de Lima, um projeto de rodovias com pedágio na capital Lima, o principal ponto de atenção está na conexão com personagens e empresas ligados à Operação Lava Jato.

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Os documentos mostram que registros bancários obtidos nos Estados Unidos identificaram movimentações recentes envolvendo estruturas associadas à Odebrecht, empresa brasileira do setor de engenharia e construção que esteve no centro de um dos maiores escândalos de corrupção da América Latina e que hoje se chama Novonor.

O que é o caso no Peru

A petição está ligada a investigações sobre a concessão da Rutas de Lima. O projeto envolve a construção, operação e cobrança de pedágios em estradas estratégicas da capital peruana. O contrato é investigado por suspeitas de pagamento de propina e lavagem de dinheiro envolvendo autoridades públicas e empresas privadas.

O que foi identificado

Entre os dados mais relevantes está uma série de transações realizadas em setembro de 2025. Segundo a petição, valores ligados ao empresário Raúl Ribeiro Pereira Neto circularam pelo sistema financeiro americano por meio de uma empresa chamada Pyrum.

Essas movimentações incluíram um pagamento ao executivo Jorge Barata, que foi o principal representante da Odebrecht no Peru e peça-chave nas investigações da Lava Jato naquele país.

Por que isso importa para o Brasil

O pagamento ocorre próximo no tempo à assinatura de contratos da Petrobras, estatal brasileira de petróleo, no Complexo Boaventura, no Rio de Janeiro.

Para os autores da petição, essa coincidência levanta a suspeita de que relações e práticas associadas ao esquema investigado na Lava Jato possam ter continuado, ainda que sob novas estruturas empresariais.

Os registros apontam ainda para a circulação de cerca de 700 mil dólares com características de transações circulares, um padrão frequentemente associado à tentativa de ocultar a origem do dinheiro.

Petrobras entra no foco

A presença da Petrobras no contexto dessas movimentações chama atenção porque a empresa foi um dos principais alvos da Lava Jato, investigação que revelou esquemas de corrupção envolvendo contratos públicos, empreiteiras e agentes políticos.

A petição não afirma irregularidades diretas nos contratos atuais, mas aponta elementos que, segundo os autores, merecem apuração.

Provas estão sendo produzidas fora do Brasil

Outro ponto relevante é onde essas informações estão sendo obtidas. A investigação utiliza dados de bancos e instituições financeiras dos Estados Unidos, como o Federal Reserve de Nova York e o Wells Fargo.

Segundo o documento, a cooperação judicial entre Brasil e Peru em casos ligados à Odebrecht perdeu força nos últimos anos. Com isso, autoridades peruanas passaram a buscar evidências por meio do sistema financeiro americano.

Veja a íntegra do posicionamento da Petrobras

“A Petrobras esclarece que não possui operações no Peru desde 2014 e que não tem qualquer relação com o projeto “Rutas de Lima”. A companhia informa, ainda, que não há qualquer relação entre o projeto peruano citado na reportagem e as operações da Petrobras no Brasil.

No Brasil, a Petrobras contratou, em outubro de 2025, o consórcio TEM Boaventura — formado pelas empresas Tenenge, EGTC e ECB (Mota Engil) – para construção de duas unidades integrantes Projeto Refino Boaventura, localizado no Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí (RJ).

A contratação é resultado de processo licitatório conduzido em conformidade com a Lei nº 13.303/2016 e o respectivo edital. Durante o processo, foram recebidas 19 propostas no total, tendo sido selecionada, de acordo com os critérios estabelecidos no certame, a mais econômica para a Petrobras. Além disso, o valor contratual é bem inferior ao mencionado pela reportagem.

A Petrobras lamenta não ter sido previamente procurada pela coluna para prestar os devidos esclarecimentos antes da publicação da reportagem.”

Veja a íntegra do posicionamento da Odebrecht

“As ilações do suposto pedido de investigação vindo do Peru, veiculadas no artigo, são totalmente desprovidas de qualquer fundamento.

A Odebrecht nega veementemente que tenha existido qualquer irregularidade nos procedimentos licitatórios e contratos assinados recentemente com a Petrobras.

Os dois executivos mencionados na matéria nunca atuaram em contratos com Petrobras e há muito tempo não fazem parte da Odebrecht.

Da mesma forma, não existe qualquer nexo entre uma concessionária de rodovias no Peru, denominada de  Rutas de Lima – cujo controle foi vendido pela Odebrecht em 2016 a investidores canadenses – e contratos assinados com a Petrobras em 2025.

Importante indicar que atualmente existem litígios internacionais bilionários movidos pela concessionaria Rutas de Lima contra o Estado peruano por atos ilegais perpretados contra o projeto, o que estaria motivando represálias.

Caso eventualmente se confirme que o Governo do Peru produziu tais ilações supostamente em um processo em andamento nos Estados Unidos, do qual a Odebrecht ainda não teve acesso aos autos, a Odebrecht resguarda o direito de adotar as medidas legais cabíveis.

A empresa reafirma seu compromisso inegociável de atuação ética, íntegra e transparente em toda sua atuação empresarial.”

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