Governo Lula repudia fala Flávio Bolsonaro em audiência EUA
Brasília, Terça, 07 de julho de 2026
Política

Governo Lula repudia fala de Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA

Enquanto Executivo enviou representantes apenas como observadores à audiência do USTR, senador participou do debate

Foto: Fernando Pessoa/Divulgação
Flávio Bolsonaro, durante participação de audiência Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês). Foto: Reprodução

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Por Redação

O governo Lula (PT) criticou nesta terça-feira (7) a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que discute a possível aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros.

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Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o governo afirmou que “repudia” a manifestação do parlamentar e disse que Flávio foi o único brasileiro inscrito no evento a não se posicionar contra a medida americana.

A audiência ocorreu enquanto o governo brasileiro optou por não participar dos debates como expositor. A Embaixada do Brasil em Washington enviou representantes apenas na condição de observadores, sem direito a manifestação. O Palácio do Planalto informou que prefere concentrar as negociações em reuniões técnicas e diplomáticas com autoridades americanas.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, participou presencialmente da audiência e pediu que os Estados Unidos suspendam a aplicação das tarifas. O senador afirmou que a adoção da medida neste momento poderia prejudicar empresas brasileiras e norte-americanas e defendeu o adiamento da decisão.

“O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão”, afirmou o parlamentar em discurso em inglês.

Flávio também declarou que a aplicação das tarifas não seria a forma adequada de pressionar o Brasil.

“Acho que vocês estão usando as tarifas (…) para atingir o objetivo que desejam. Se a intenção é pressionar o Brasil, esse não é o jeito correto de fazer isso. Essa não é a forma adequada. Existem instrumentos direcionados que podem ser usados contra indivíduos”, disse.

Governo acusa senador de favorecer interesses eleitorais

Na nota, o governo afirmou que Flávio teria adotado uma postura com “claro objetivo eleitoreiro” ao defender o adiamento da decisão americana.

Segundo a Secom, o senador não teria utilizado a audiência para contestar as acusações apresentadas pelo governo dos Estados Unidos durante a investigação comercial.

“Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, afirmou o governo.

A gestão Lula também criticou as declarações do parlamentar sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), regras relacionadas ao ambiente digital e o Pix.

O senador defendeu o sistema de pagamentos instantâneos e afirmou que a ferramenta foi criada durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

“O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil foi criado durante a administração [Jair] Bolsonaro. O Pix não é o problema; é uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao integrar milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — à economia formal”, declarou.

Tarifa pode ser definida até 15 de julho

A audiência do USTR analisa a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão dos Estados Unidos é esperada até 15 de julho.

O governo brasileiro já havia apresentado uma resposta formal ao órgão americano após a conclusão da investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas “irrazoáveis” pelo governo dos Estados Unidos.

No documento enviado pelo Itamaraty, o Brasil argumentou que o USTR não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio americano.

O Executivo brasileiro também afirmou que críticas ao Pix e a decisões do STF não deveriam ser tratadas como questões comerciais.

Participação de Flávio foi independente

Flávio Bolsonaro participou da audiência como senador e pré-candidato à Presidência da República, sem representar oficialmente o governo brasileiro.

O parlamentar esteve acompanhado do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos. Antes da participação, Flávio afirmou que faria uma “defesa técnica” para evitar prejuízos às empresas brasileiras.

“Ao lado de Eduardo Bolsonaro, e a postos para fazer uma defesa técnica e que proteja todas as empresas brasileiras de um possível tarifaço. Nossa luta é pelo Brasil e por todos os brasileiros!”, publicou.

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