André Marsiglia classifica como ‘absurdo’ Bolsonaro ainda está em prisão domiciliar
O jurista André Marsiglia criticou a continuidade prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando a situação como “ilegal” e denunciando um excesso na vigilância imposta pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. As declarações foram feitas durante o programa Alive, do canal Claudio Dantas.
A fala de Marsiglia ocorre no mesmo dia em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep), visita Bolsonaro em prisão domiciliar em Brasília, com autorização prévia de Moraes. O encontro, que deve ocorrer entre 10h e 14h, tem como pauta a articulação política, incluindo a anistia e a redução da pena aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, além das eleições presidenciais de 2026.
Para André Marsiglia, a prisão domiciliar de Bolsonaro é ilegal, pois o ex-presidente foi excluído do inquérito que originou suas medidas cautelares e sua posterior detenção por descumprimento.
“Essa questão é muito grave porque nós estamos normalizando o absurdo e normaliza porque todo dia surge um novo. Então o absurdo de ontem ficou velho e a gente deixa pra lá. Mas são absurdos, são totais absurdos,” pontuou o jurista.
Marsiglia argumentou que, se Bolsonaro foi excluído do inquérito, todas as cautelares e a própria prisão deveriam cair. Ele comparou a situação a um réu que ganha um recurso em segunda instância.
“Se o Bolsonaro foi excluído do inquérito, ele é como se ele tivesse ganhado, portanto, tudo aquilo que era condenação, também cai, as cautelares caem.” Segundo o jurista, a liberação de Bolsonaro deveria ser um “ato de ofício do ministro Moraes”, e não uma necessidade de a defesa ter que solicitar.
O jurista afirmou que o ministro Alexandre de Moraes tem uma “completa obsessão” pela vigilância dos passos do ex-presidente.
“O Moraes está dia e noite atrás do Bolsonaro. Bolsonaro põe o pé fora de casa, ele vai lá e dá vinte e quatro horas pra ele explicar por que ele botou o dedão pra fora da garagem. Bota policial no quintal do Bolsonaro. Há uma completa obsessão em relação ao Bolsonaro para tudo, para tudo que ele faz,” destacou Marsiglia.

Entretanto, segundo o jurista, essa obsessão não se aplica quando se trata dos direitos do ex-presidente. “Para tudo que ele [Bolsonaro] tem direito, ele não tem obsessão nenhuma. Então o problema aqui é esse, há uma desmedida,” disse Marsiglia, criticando a falta de acesso aos direitos do ex-presidente.
“Agora, tudo que é direito do Bolsonaro, aí ele não tem acesso aos direitos, a defesa tem de pedir e mesmo assim não recebe. É um absurdo.”
Marsiglia concluiu sua análise afirmando que há um “estado que persegue algumas pessoas da direita”.
