A visita de Tarcísio a Bolsonaro e a pressão pelo desembarque do Republicanos - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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A visita de Tarcísio a Bolsonaro e a pressão pelo desembarque do Republicanos

Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas
Reprodução

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Por Claudio Dantas

Caciques do PL e da federação União Progressista vão tentar nesta semana convencer o Republicanos a desembarcar do governo Lula e cerrar fileiras no Congresso contra pautas populistas que visam à reeleição do petista em detrimento da saúde fiscal. Hoje, o partido liderado por Marcos Pereira detém posições estratégicas e ambíguas.

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Preside a Câmara dos Deputados com Hugo Motta, integra o governo Lula com Silvio Costa Filho no Ministério de Portos e Aeroportos, e governa São Paulo pelas mãos de Tarcísio de Freitas, que deve sua eleição a Jair Bolsonaro. A pressão pelo desembarque do Republicanos será, inclusive, um dos temas da reunião de hoje entre Tarcísio e Bolsonaro.

Na cúpula da oposição, há o entendimento de que, mais importante que definir quem estará nas urnas em 2026 contra Lula, é drenar a força eleitoral do petista. Para isso, é preciso barrar novas medidas assistencialistas, como o Gás do Povo, que prevê a distribuição gratuita de botijões de gás de cozinha a 25 milhões de famílias.

Com apoio do Republicanos, a oposição também espera aprovar, sem as chamadas “compensações”, o projeto de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. O governo Lula teme não conseguir bancar uma renúncia de R$ 27 bilhões, sem a arrecadação extra sobre rendas acima de R$ 600 mil por ano — R$ 50 mil mensais.

Hoje, PL e União Progressista (União Brasil + PP) têm juntos 197 votos, montante que poderia subir para 241 votos com a chegada do Republicanos; bem perto da maioria simples de 257. Há expectativa ainda de que o PSD, que tem mais 45 deputados, possa ser atraído para a oposição, caso Gilberto Kassab se convença de que há chances de bater Lula no ano que vem.

A ESPERADA BÊNÇÃO DE BOLSONARO A TARCÍSIO

Nesse sentido, aumenta a pressão sobre a candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas, que tem sido alvo de críticas duras por parte de Eduardo Bolsonaro, que sonha com o Palácio do Planalto. O governador de São Paulo, que fez duro discurso contra Alexandre de Moraes no 7 de setembro e conduziu articulações de bastidor pela anistia, tem dito que não pretende disputar a Presidência.

Também é consenso de que apenas Jair Bolsonaro pode decidir apoiar Tarcísio desde já, ou se manterá virtualmente seu nome na corrida presidencial — mesmo condenado e sem direitos políticos. Na percepção desses caciques partidários, a bênção do ex-presidente ao governador tem o potencial de viabilizar toda essa movimentação partidária, criando um amplo bloco de oposição.

Só Bolsonaro também tem o poder de apaziguar a relação de Eduardo com Tarcísio e a turma do Centrão. No fim de semana, o filho 02 voltou a falar em candidatura própria na ausência do pai, levando Ciro Nogueira a reagir e entrando em confronto com Paulo Figueiredo. O entrevero alimentou manchetes depois desmentidas por Flávio Bolsonaro, que atua como bombeiro entre o irmão, Tarcísio e a turma do Centrão.

Ciro diz que falta “bom senso” ao movimento apelidado de ‘Eduardismo’, que prega tolerância zero contra o sistema e articula sanções a ministros do Supremo. Sem a Magnitsky e a suspensão dos vistos de ministros, porém, a direita já não teria qualquer poder de barganha na pauta da anistia. Por isso, abrir mão de que ela seja ampla, geral e irrestrita, não é uma opção.

Por outro lado, sem uma ampla articulação política dentro do Congresso, Lula tende a avançar a passos largos rumo à reeleição. Da mesma forma, sem a consolidação de palanques regionais, corre o risco de ver sua bancada reduzida à pó em 2026; tornando uma virada de jogo ainda mais difícil.

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