Em entrevista ao programa Alive, o ex-assessor do TSE detalha bastidores de sua breve detenção na Itália
O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, voltou a fazer duras críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Nesta terça-feira (7), em entrevista ao programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, Tagliaferro afirmou que um juiz italiano ficou “espantado” ao tomar conhecimento da suposta perseguição política da qual diz ser alvo, além da existência de sanções internacionais — como a Lei Magnitsky — contra o magistrado brasileiro.
“Ele ficou espantado ao saber que o Moraes foi sancionado por violações de direitos humanos. Não sabia dos pedidos de extradição negados por outros países. Falei do caso da juíza Ludmila Lins Grilo, que está exilada nos Estados Unidos, e mostrei provas de que o ministro tentou manipular provas e distorcer fatos dentro do processo”, afirmou.
A declaração ocorre poucos dias após a breve detenção de Tagliaferro na Itália, na última quarta-feira (1º), em decorrência de um pedido de extradição feito pelo governo brasileiro. A solicitação foi analisada pela Corte de Apelação de Catanzaro. Segundo o ex-assessor, o procedimento teve caráter “protocolar” e resultou em sua liberação poucas horas depois. Ele não chegou a ser formalmente preso, mas foi proibido de deixar o país e teve que informar seu endereço de residência.
“Falaram que eu fui preso, mas não é nada disso. A polícia veio até minha casa porque não existe oficial de justiça aqui. Me levaram para prestar esclarecimentos. Lá, fui informado que existia um pedido de extradição vindo do Brasil”, relatou.
Durante a entrevista, Tagliaferro foi questionado pela cientista política e advogada Carol Sponza sobre a comparação entre sua situação e a da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que está presa na Itália. Ele explicou que, diferentemente de seu caso, o da parlamentar segue o trâmite penal comum, já que ela foi condenada no Brasil e teve todos os recursos judiciais esgotados.
“Eu sou um perigo porque estou desmascarando o sistema. Me tornei um golpista só por mostrar conversas entre meu gabinete e o gabinete de Moraes. Denunciei perseguições, prisões indevidas, falsificação de documentos. E o crime de vazamento aqui na Itália, quando revela um crime, não é crime. Pelo contrário: você pode ser até recompensado”, afirmou. Ainda de acordo com ele, o presidente da Corte italiana demonstrou receptividade e interesse em aprofundar a análise do caso. O depoimento prestado pelo brasileiro será encaminhado ao procurador-geral da Itália, que poderá decidir por ouvi-lo novamente.
Relembre atuação e denúncias de Tagliaferro
Tagliaferro atuou como chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE durante a presidência de Moraes na Corte. Desde o início das investigações contra ele, foi exonerado e deixou o Brasil. Hoje, é investigado por suspeita de envolvimento no vazamento de conversas privadas entre servidores do Judiciário, inclusive do gabinete de Moraes, o que teria ocorrido no contexto da investigação contra empresários aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022.
O ex-assessor já participou de três audiências no Congresso Nacional neste ano — duas na Câmara dos Deputados e uma no Senado — onde apresentou documentos que reforçam suas acusações. Em uma delas, afirmou que o TSE produziu relatórios com base em dados falsificados e que o STF conduziu operações ilegais com o objetivo de intimidar adversários políticos.
No início de setembro, o gabinete do ministro Moraes já havia classificado as acusações como infundadas e reafirmou a legalidade dos atos praticados. Segundo o pronunciamento, os relatórios e medidas judiciais adotadas pelo TSE ocorreram com base no regimento interno e sob ciência da Procuradoria-Geral da República (PGR).
