A proposta do governo Lula de zerar a alíquota de importação de alimentos foi alvo de críticas da oposição na Câmara dos Deputados. Para o líder oposicionista, deputado federal Zucco (PL-RS), a medida é ineficaz e não enfrenta os reais problemas da alta dos preços.
“A proposta do governo de zerar a alíquota de importação de alimentos pode parecer, à primeira vista, uma medida eficaz para combater a alta dos preços e aliviar o custo de vida da população. No entanto, essa iniciativa tem um impacto limitado e não ataca os problemas estruturais que perpetuam a insegurança alimentar e a inflação no país”, declarou Zucco em nota oficial.
A oposição argumenta que a alta dos preços não se deve às tarifas de importação, mas sim a gargalos logísticos, carga tributária excessiva, concentração do setor agropecuário e dependência de insumos estrangeiros. Esses fatores, segundo o deputado, são os verdadeiros responsáveis pelo encarecimento dos alimentos no Brasil.
Outro ponto levantado é que a isenção tarifária pode beneficiar grandes importadores e distribuidores, sem garantia de que a redução chegará ao consumidor final. “A redução da tarifa não garante que os preços nas prateleiras dos supermercados cairão na mesma proporção, já que outros custos, como transporte, armazenagem e margem de lucro dos intermediários, continuarão pressionando os valores”, alerta Zucco.
A dependência de produtos importados também é vista como uma ameaça à produção nacional. “Sem políticas estruturantes para apoiar a agricultura familiar e empresarial e incentivar a produção interna, a dependência de produtos importados pode aumentar, tornando o país mais vulnerável a variações cambiais e à oferta internacional”, criticou o líder da oposição.
Para os opositores, a solução para a inflação exige medidas mais profundas, como a redução do déficit fiscal, investimentos em infraestrutura, alívio tributário para a produção nacional e fortalecimento das políticas agrícolas. “Zerar a alíquota de importação sem resolver as deficiências estruturais do setor agroalimentar é uma solução paliativa e ineficaz”, conclui Zucco. “A medida parece mais um ato de desespero de um governo perdido e apavorado com os altos índices de desaprovação.”
