O PP, partido com 56 assentos no Congresso, discute internamente a possibilidade de deixar a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento tem sido impulsionado por congressistas da sigla, que pressionam o presidente do partido, Ciro Nogueira (PP-PI), a oficializar o rompimento.
Caso a decisão se concretize, o partido entregaria o Ministério do Esporte, atualmente comandado por André Fufuca (PP-MA). Ainda não há data definida para uma reunião que formalize o debate.
Apesar da aliança pontual com o governo, o PP tem uma base majoritariamente oposicionista, sobretudo no Congresso. Na Câmara, a maioria dos 50 deputados se posiciona contra Lula, com poucas exceções, como o vice-líder do Governo, Neto Carletto (PP-BA). No Senado, a sigla conta com seis parlamentares, entre eles os ex-ministros do governo Bolsonaro, Tereza Cristina (MS) e o próprio Ciro Nogueira. Nenhum deles é considerado um voto certo para o Palácio do Planalto.
Ciro Nogueira intensifica críticas a Lula
Ciro Nogueira tem adotado um tom cada vez mais crítico ao governo Lula. Na segunda-feira (3), ele atacou a decisão de escalar Gleisi Hoffmann (PT) para comandar as articulações do Planalto no Congresso, classificando o movimento como uma “ultrapetização” do governo.
“Só pode haver um motivo pra guinada de Lula na ultrapetizacão do governo, ao invés de ampliar sua base: Lula desistiu do Brasil, dos mais pobres, do povo e quer se eternizar como bottom e camiseta, tipo Che e Fidel. Entre presidir e ser bottom, escolheu ser bottom e camiseta”, declarou no X.
Dois dias depois, o senador voltou à carga e criticou os rumores de que Guilherme Boulos (PSOL) poderia assumir um ministério.
“O líder do movimento invasor dos sem teto sob o teto do Planalto seria a comprovação definitiva de que o governo está sem rumo e sem chão”, escreveu.
A saída do PP do governo Lula representaria um golpe na articulação política do Planalto, que já enfrenta dificuldades para consolidar uma base sólida no Congresso.
