Servidor há 30 anos, auditor cobrava para anular multas fiscais
O Ministério da Fazenda demitiu o auditor-fiscal da Receita Federal Marco Aurélio da Silva Canal por má conduta e busca de vantagens pessoais. A decisão, assinada pelo ministro Fernando Haddad, nesta terça-feira (17), proibiu Canal de retornar ao serviço público federal por oito anos. A medida encerra um processo administrativo que investigou a postura do servidor.
Canal havia sido preso durante uma operação da Lava Jato no Rio de Janeiro, sob a acusação de liderar um esquema de cobrança de propina de investigados. O auditor ingressou na Receita Federal em 1995 e, à época de sua prisão, atuava como supervisor de Programação da Receita na Lava Jato no Rio. Segundo o Ministério Público, mesmo sem participar diretamente da força-tarefa, tinha acesso a informações sensíveis e processos em andamento.
As investigações da operação que o deteve revelaram que Canal supostamente utilizava dados de indivíduos sob investigação na Lava Jato para extorquir dinheiro. Em troca, ele ofereceria a redução ou o cancelamento de multas fiscais.
A delação de Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor (Federação de Empresas de Transporte do Rio de Janeiro), foi fundamental para a operação. De acordo com o depoimento, Canal teria recebido R$ 4 milhões para evitar uma autuação fiscal contra a entidade.
Como chefe da equipe responsável pelo caso Fetranspor, o auditor ordenou o encerramento do procedimento fiscal relacionado à entidade em junho de 2017. Na época de sua prisão, o auditor recebia uma remuneração líquida de R$ 21,8 mil.
O Ministério Público descreveu Canal como “detentor de cargo com acesso a informações sensíveis e relevantes acerca das investigações da Operação Lava Jato“. No pedido de prisão, a PGR destacou que o auditor “detém conhecimento amplo de como funcionam os órgãos de controle do Estado, ocupando relevante papel no âmbito da organização criminosa“.
