Sem compras em setembro, China prioriza Brasil e Argentina em meio a impasse com Washington
Pela primeira vez desde 2018, a China não registrou importações de soja dos Estados Unidos durante o mês de setembro, segundo dados recentes da Administração Geral de Alfândega do país asiático.
A interrupção nas compras do grão norte-americano ocorre no contexto da disputa comercial entre os dois países. Nesta segunda-feira (20), o presidente dos EUA, Donald Trump (Republicano) chegou a fazer uma nova ameaça à China: se não houver um acordo, serão aplicadas tarifas de 155% a partir de 1º de novembro.
Tradicionalmente, setembro marca o início da colheita da soja nos Estados Unidos e o momento em que a China faz pedidos significativos aos produtores de estados como Illinois, Iowa e Minnesota.
No entanto, este ano, as indústrias chinesas preferiram se abastecer antecipadamente no mercado sul-americano, cuja safra ocorre entre abril e maio, e que oferece preços mais competitivos devido à ausência das tarifas adicionais.
Em setembro, as importações chinesas de soja totalizaram 12,87 milhões de toneladas, o segundo maior volume já registrado, impulsionadas principalmente pela soja proveniente do Brasil e da Argentina.
Enquanto as compras norte-americanas zeraram, as do Brasil subiram quase 30%, chegando a 10,96 milhões de toneladas, e os da Argentina aumentaram 91,5%, para 1,17 milhão de toneladas. Juntas, essas duas nações sul-americanas responderam por mais de 94% das importações chinesas no período.
