Frigol e Durlicouros são apontados como principais fornecedores
Uma investigação da ONG britânica Earthsight revelou que a cadeia de suprimentos de couro de grifes internacionais, como Coach, Louis Vuitton, Fendi, Chloé e Hugo Boss, está ligada ao desmatamento ilegal na Amazônia, especialmente no estado do Pará, que vai sediar a próxima COP30.
O relatório, divulgado nesta terça-feira (24) mostra como o couro utilizado por essas marcas de luxo vem de fazendas com histórico de crimes ambientais e violações de direitos indígenas. O caso da Coach, conhecida por suas bolsas e acessórios premium, ganhou destaque entre as denúncias.
O centro das irregularidades apontadas é o frigorífico Frigol, um dos cinco maiores do Brasil, e o curtume Durlicouros, principal exportador de couro do Pará para a Europa. Segundo a Earthsight, o Frigol adquiriu gado de propriedades envolvidas com desmatamento, inclusive dentro de terras indígenas. A ONG também afirma que a Durlicouros abastece diretamente diversas marcas de luxo com couro processado no estado.
A investigação, intitulada “O preço oculto do luxo: o que as bolsas de grife europeias estão custando à floresta amazônica”, baseia-se em decisões judiciais, documentos oficiais, imagens de satélite e registros de embarques. Além disso, investigadores da Earthsight infiltraram-se em feiras internacionais do setor de couro, na Europa, para demonstrar como o material de origem ilegal é escoado para o mercado global.
O relatório aponta ainda a falta de rastreabilidade na cadeia do couro no Brasil, o que permite a chamada “lavagem de gado”, quando animais criados em áreas ilegais são transferidos para fazendas com documentação regularizada antes do abate. Essa prática facilita a entrada de couro de origem irregular no mercado internacional.
Entre 2020 e 2023, segundo o levantamento, mais de 40% dos pecuaristas processados por pecuária ilegal forneceram gado ao Frigol. Apenas na Terra Indígena Apyterewa, o Ministério Público Federal (MPF) identificou a criação ilegal de 47,2 mil cabeças de gado, sendo que quase a metade foi vendida ao frigorífico.
A Earthsight destacou que até marcas que se promovem como sustentáveis, como a própria Coach, estão envolvidas.
