Lula revoga decreto sobre hidrovias na Amazônia após pressão indígena
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Lula revoga decreto sobre hidrovias na Amazônia após pressão indígena

Medida atingia rios Madeira, Tocantins e Tapajós e previa concessão à iniciativa privada

Governo Lula revoga decreto que incluía hidrovias da Amazônia no Programa de Desestatização após protestos e ocupações no Pará
Foto: Divulgação/SGPR

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O governo Lula anunciou a revogação do decreto presidencial que previa a inclusão de três hidrovias da Amazônia no Programa Nacional de Desestatização.

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A decisão ocorreu após pressão de povos indígenas que vivem nas regiões dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós. Também houve protestos no Pará, incluindo a ocupação de instalações da empresa Cargill, em Santarém, contra edital de dragagem.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que as manifestações apontaram possíveis impactos do decreto sobre comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

“Os povos indígenas vêm realizando, há mais de 30 dias, uma manifestação em que questionam o decreto e apontam os efeitos que ele poderia causar às suas comunidades, bem como às populações quilombolas e ribeirinhas. A Secretaria-Geral da Presidência e o Ministério dos Povos Indígenas mantiveram diálogo ao longo desse período e, após um processo de discussão interna no governo, no qual foram ouvidas diversas posições, foi firmada a decisão de revogar o decreto 12.600”, disse.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, afirmou que a decisão considerou compromisso assumido durante a COP30. Segundo ela, qualquer obra ligada à hidrovia do Rio Tapajós deverá ser precedida de consulta pública.

O decreto previa estudos técnicos, ambientais e logísticos para viabilizar a concessão das hidrovias à iniciativa privada. Lideranças indígenas alegaram risco de impactos em territórios tradicionais e questionaram a inclusão dos trechos no programa de desestatização.

A revogação será formalizada por publicação no Diário Oficial da União.

As hidrovias incluídas no decreto eram:

  • Rio Madeira: de Porto Velho (RO) a Itacoatiara (AM), com cerca de 1.075 quilômetros.
  • Rio Tocantins: de Belém (PA) a Peixe (TO), com cerca de 1.731 quilômetros.
  • Rio Tapajós: de Itaituba (PA) a Santarém (PA), com cerca de 250 quilômetros.

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