A operação “Pasto Nullus”, conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na região da Terra do Meio, no Pará, provocou indignação entre moradores e produtores rurais e reacendeu críticas à atuação do governo federal na Amazônia. A ação, que resultou na apreensão de rebanhos bovinos em áreas classificadas como protegidas, é vista por parte da população local como mais um exemplo da falta de diálogo com famílias que vivem e produzem na região há décadas.
Na terça-feira (9), fiscais realizaram a retirada de cerca de 90 cabeças de gado na região da rodovia Transiriri, próxima à Vila Fumaça, em São Félix do Xingu. Durante a operação, moradores interceptaram caminhões utilizados para o transporte dos animais e acabaram liberando parte do rebanho, que se dispersou pela área.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram o desespero de produtores diante da perda dos animais e ampliaram a repercussão do caso. Um dos relatos que ganharam destaque foi o do produtor rural Pedro Coco, que criticou a ação e classificou a apreensão como uma medida desumana contra famílias que dependem da atividade para sobreviver.
O ICMBio afirma que a operação tem como objetivo combater o desmatamento ilegal e a criação de gado em áreas embargadas dentro da Estação Ecológica da Terra do Meio, unidade de conservação onde atividades agropecuárias são proibidas. Segundo o órgão, os ocupantes das áreas já teriam sido notificados anteriormente sobre as restrições ambientais.
A autarquia também alegou que parte dos animais apresentava irregularidades cadastrais junto à Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), o que poderia configurar infrações sanitárias e administrativas.
Apesar das justificativas oficiais, a operação intensificou o sentimento de revolta entre moradores da região, que acusam o governo federal de priorizar ações punitivas enquanto mantém sem solução os históricos problemas fundiários da Amazônia. Produtores afirmam conviver há anos com insegurança jurídica e alegam que o Estado falhou em oferecer alternativas de regularização antes de promover operações de fiscalização em larga escala.
A crítica também se concentra no fato de que a pecuária representa uma das principais atividades econômicas da região. Para lideranças locais, medidas como apreensão de rebanhos e destruição de estruturas acabam atingindo diretamente famílias que dependem da produção rural para garantir renda e sustento.
