O governo Lula enfrentou mais uma crise de comunicação nesta quinta-feira (22) ao anunciar, recuar e tentar remendar, em menos de 24 horas, a mudança nas regras do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A trapalhada expôs a falta de coordenação entre ministérios e gerou novo mal-estar dentro do Palácio do Planalto.
A confusão começou com a apresentação da medida pelo Ministério da Fazenda, que previa aumento significativo de alíquotas, com o objetivo de arrecadar R$ 20,1 bilhões em 2025. Horas depois, diante da reação negativa do mercado e de outros setores do próprio governo, o decreto foi parcialmente revisto, sem qualquer participação direta do ministro Fernando Haddad, que estava em viagem para São Paulo no momento da decisão.
O recuo foi articulado por ministros mais próximos do presidente Lula, como Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social), em uma reunião no Planalto. Haddad se alinhou à decisão apenas no dia seguinte e tentou minimizar a situação.
“Não há problema em voltar atrás desde que o rumo seja mantido”, disse.
O episódio também mostrou a confusão entre os próprios integrantes da Esplanada. Antes mesmo do anúncio oficial da Fazenda, o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), antecipou detalhes da medida durante um evento na B3 (Bolsa de Valores), quebrando o sigilo planejado. Haddad não escondeu o desconforto.
“Os funcionários da Fazenda e do Planejamento sabem que têm um dever funcional de guardar sigilo”, disse, sem citar diretamente o colega.
Com o recuo, a Fazenda anunciou que manterá a alíquota de 1,1% para remessas destinadas a investimentos no exterior, derrubando o aumento para 3,5% previsto no texto original. Também será restaurado o decreto 6.306 de 2007, que assegura isenção para operações de câmbio relacionadas a aplicações de fundos no exterior.
