O governo Lula recuou e abriu diálogo para buscar alternativas ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A sinalização foi dada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (28), ao lado de representantes da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e de grandes monopólios de bancos do país.
Segundo Durigan, a Fazenda está disposta a revisar o decreto, avaliar mudanças e analisar os impactos do aumento do IOF nas operações de crédito.
“Estamos sempre abertos a discutir com a sociedade. Na própria quinta-feira nós fizemos uma correção no texto do decreto, antecipando eventuais problemas que poderiam ter na abertura do mercado na sexta-feira”, disse.
Durigan explicou que o Ministério da Fazenda apresentou as premissas que embasaram a proposta de aumento do IOF ao presidente Lula, mas afirmou que as conversas com diferentes setores, como a Febraban, estão em curso para buscar soluções. A medida, que gerou reação de entidades empresariais, pode ter impactos significativos no crédito e no mercado financeiro.
Entre os presentes na reunião estavam nomes de peso do setor bancário, como Isaac Sidney (presidente da Febraban), Milton Maluhy Filho (Itaú Unibanco), Marcelo Noronha (Bradesco), Mario Leão (Santander Brasil) e Roberto Sallouti (BTG Pactual).
Durigan admitiu que o aumento do IOF está baseado em justificativas regulatórias, mas reconheceu que há impactos fiscais relevantes.
“Qualquer alteração no decreto terá efeito no contingenciamento de R$ 20,7 bilhões e no bloqueio de R$ 10,6 bilhões feito pelo governo”, afirmou.
O secretário reforçou que o diálogo com o setor bancário e outras entidades empresariais continuará, e que o governo está analisando as alternativas apresentadas pela Febraban e pelo próprio ministério para evitar o aumento isolado do IOF.
