Governo discute fim da “taxa das blusinhas”, admite Fazenda
Brasília, Segunda, 22 de junho de 2026
Economia

Governo discute fim da “taxa das blusinhas”, admite Fazenda

Dario Durigan afirma que imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 está em debate dentro do governo

Ministro em entrevista nesta quarta (6) - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Ministro em entrevista nesta quarta (6) - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou hoje (6) que o governo federal discute a possibilidade de extinguir a chamada “taxa das blusinhas”, cobrança de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A declaração foi feita durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Segundo Durigan, o governo não pretende encerrar o programa Remessa Conforme, criado para regularizar e ampliar o controle sobre importações de baixo valor. O ministro, porém, admitiu que há discussão interna sobre a manutenção do imposto.

“Hoje oposição tem trazido o tema de volta. Dentro do governo, há ministros que defendem que reveja [a taxa das blusinhas]. A gente tem que fazer o debate racional. Eu não tenho tabu em relação aos temas, desde que a gente preserve os avanços que a gente atingiu. O programa Remessa Conforme é algo que eu não abro mão. Está sendo discutido [o fim da taxa das blusinhas]”, declarou.

A cobrança entrou em vigor em agosto de 2024 após aprovação do Congresso Nacional. O imposto incide sobre compras internacionais de pequeno valor realizadas em plataformas estrangeiras.

Durigan afirmou que o programa Remessa Conforme ampliou o controle sobre produtos importados e passou a exigir conformidade com normas brasileiras, incluindo regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e padrões de segurança para brinquedos e outros itens.

A tributação sobre encomendas internacionais segue dividindo setores econômicos e consumidores.

Críticos da medida afirmam que o imposto encareceu produtos populares vendidos por plataformas internacionais e reduziu a competitividade das compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros.

Por outro lado, integrantes do governo e representantes do varejo nacional defendem a manutenção da cobrança como forma de proteger a indústria brasileira e garantir concorrência tributária com empresas instaladas no país.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, já havia defendido publicamente a permanência da taxa para fortalecer o setor produtivo nacional.

Entidades ligadas ao comércio e à indústria também divulgaram manifestos favoráveis à continuidade da cobrança, argumentando que a medida ajudou a preservar empregos e ampliar investimentos no varejo brasileiro.

Além do impacto econômico, a arrecadação com o imposto passou a integrar a estratégia fiscal do governo federal.

Segundo dados da Receita Federal, a cobrança arrecadou R$ 5 bilhões em 2025. Apenas no primeiro trimestre deste ano, a arrecadação somou R$ 1,28 bilhão, alta de 21,8% em relação ao mesmo período anterior.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade