Governo aprova IR, mas oposição expõe distorções
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Governo aprova IR, mas oposição expõe distorções

A Câmara aprovou por unanimidade a autorização do IR até R$ 5 mil. Direita votou a favor, mas acusa governo de maquiagem fiscal e promete emendas no Senado para garantir justiça tributária real
O deputado Marcel Van Hattem apesar de votar a favor do IR, explica que a vitória é parcial. Foto: Câmara dos Deputados

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Por Redação

Direita vota a favor para aliviar o povo, mas denuncia armadilhas fiscais e falta de cortes no gasto público

A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil. Não houve votos contrários, nem mesmo da oposição, que, apesar de apoiar a proposta, fez questão de deixar claro que o texto está longe de ser uma solução definitiva.

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Para parlamentares de direita, a medida é uma forma de mascarar um colapso financeiro que o país virá a sentir mais à frente e que carrega distorções graves para manter a velha fórmula do governo petista: arrecadar mais para sustentar uma máquina pública cada vez mais inchada.

Os deputados lembraram que a tabela estava congelada há 15 anos, punindo assalariados enquanto o Estado ampliava a arrecadação. Nesse sentido, votar “sim” para a isenção do IR foi visto como uma forma de corrigir uma injustiça histórica contra quem paga a conta.

Para o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), a vitória é importante, mas insuficiente. Isso porque, segundo ele, as perdas do cidadão brasileiro desde a última revisão do imposto de renda foram muito maiores do que os ganhos que a medida proporciona.

“Só quem ganhou nesses últimos 15 anos, na verdade, foi o Estado em arrecadação que cresceu e o cidadão brasileiro foi perdendo seu poder de compra. Então, a partir dessa vitória aqui, como eu disse que é parcial, nós vamos batalhar no Senado para que a gente possa incluir ainda a correção anual do imposto de renda, porque é inexplicável que a gente esteja revisando um erro de 15 anos atrás e não olhe daqui para frente”, afirmou o parlamentar.

Van Hattem disse ainda que espera que daqui para frente tenha essa revisão anual e que o Senado retire aumentos de impostos e substitua por cortes de despesas. Ele citou as emendas apresentadas pela oposição (mais de 90 emendas antes do texto final) e chama de “golpe”, o fato de que nem sequer foram avaliadas, inclusive o destaque do Novo, que tratava justamente da revisão anual para correção da tabela do imposto de renda. 

Coronel Assis (PL-MT), também questionou a lógica econômica do governo, que acredita que dessa forma a “conta pode fechar”:

“A conta não fecha sem mais impostos. Onde é que estão os cortes no governo? Onde está a diminuição? Essa medida realmente nos deixa muito preocupados porque a partir do momento que o próprio ministro Fernando Haddad diz que nós temos que aumentar imposto pra poder fechar a conta do governo, coitado desse ‘pobre coitado’ do brasileiro que é assalariado”, explica o deputado.

No entanto, Assis expõe que não é ser contra a isenção de um imposto, até porque ele entende que o poder de compra do brasileiro acabou. Só que a real motivação da indignação se dá pela falta de organização na hora da compensação dessa mudança: “Não sejamos levianos e tão pouco ingênuos porque na economia não existe almoço de graça. A partir do momento que o senhor isenta um determinado setor, o senhor vai sobretaxar o outro”, disse.

Há preocupação por parte da oposição de que o custo da medida seja repassado à população. Com a criação de uma sobretaxa para financiar a isenção de outra faixa, existe o risco de que os preços de mercadorias e serviços sejam impactados. “E aí aquele cidadão que foi isento não terá aumento do poder de compra. Não seria mais simples reduzir os impostos sobre produtos, cortar gastos e enxugar a máquina pública para dar mais poder de compra ao brasileiro?”, questiona o coronel Assis.

Quando a proposta foi anunciada, a ocorrência foi negativa: o dólar disparou a R$ 6 e a Bolsa caiu. O temor era de rombo fiscal bilionário. Só após ajustes feitos pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, o impacto foi reduzido de R$ 100bi para R$ 30bi, o que acalmou o mercado. O modelo final beneficiou 10 milhões de brasileiros, mas onerou 141 mil mais ricos, escolha que deixou a oposição sem espaço para rejeitar o texto, embora não esconda a maquiagem fiscal do governo.

A nova batalha no Senado

Agora, o texto segue para o Senado, onde a oposição promete uma batalha mais dura. Eduardo Girão (Novo-CE) deve protocolar proposta de correção automática da tabela pelo IPCA. A expectativa é que a Casa Alta revise pontos críticos como o aumento indireto de impostos. Para a direita, só assim será possível transformar uma vitória parcial em mudança efetiva para os brasileiros.

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