Grupo propõe cooperação em inteligência e operações contra o crime organizado
Em meio à crise na segurança do Rio de Janeiro, o governador do estado, Cláudio Castro (PL), anunciou nesta quinta-feira (30) a criação do “Consórcio da Paz”, iniciativa que pretende unir estados em ações conjuntas de combate ao crime organizado.
O anúncio foi feito após reunião no Palácio Guanabara, com a presença dos governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL); de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP); e da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou por videoconferência.
“A proposta é que os estados participantes compartilhem recursos, discutam estratégias e promovam ações conjuntas”, afirmou Castro.
Ele sugeriu que a sede do consórcio seja no Rio de Janeiro e adiantou que uma nova reunião será marcada para convidar outras unidades da federação. Segundo ele, o consórcio será formado nos moldes de outros arranjos interestaduais já existentes, com foco na integração de inteligência, apoio operacional e cooperação entre as forças policiais.
“A ideia central é que, dentro das competências estaduais, possamos dividir e somar esforços. Isso inclui a troca de experiências, a colaboração na busca de soluções e, acima de tudo, a partilha de apoio prático”, disse.
Durante o evento, Castro elogiou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que regulamenta operações policiais em comunidades do Rio.
“É uma decisão que aponta um caminho claro: retomada de território, integração e financiamento. Que o Rio possa ser o laboratório dessa ação que pode mudar a história do Brasil”, afirmou.
Idealizador da proposta, o governador de Santa Catarina afirmou que o consórcio busca fortalecer a colaboração entre os entes federados. Segundo Mello, a intenção é ampliar o grupo para abranger todos os estados brasileiros.
“Se possível for, os 27. Se possível for, vamos perseguir para isso. Nesse ‘Consórcio da Paz’, vamos integrar os estados por todos os meios: contingente, inteligência, apoio financeiro, enfim”, disse.
Caiado explicou que o projeto pretende garantir uma resposta rápida em situações de emergência.
“A tese do consórcio é exatamente fazer com que todas as nossas forças integradas, com base na inteligência e na parte operacional, possam ser utilizadas para atender qualquer um dos governadores num momento emergencial, sem ter que perguntar”, afirmou.
Caiado também comentou as diferenças entre o consórcio e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal. Para ele, a iniciativa dos estados busca “integração em um momento emergencial”.
A reunião aconteceu dois dias após a operação policial contra a facção criminosa Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou 121 mortos, entre eles quatro policiais.
