Governo também pressiona Câmara a votar projeto do Imposto de Renda
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta terça-feira (23) que o governo Lula votará contra qualquer proposta que trate de perdão ou redução de penas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Segundo a ministra, os processos conduzidos pelo Supremo Tribunal Federal ainda estão em andamento e não devem ser alvo de interferência política.
“Nossa posição sempre foi clara — do governo do presidente Lula —, nós somos contra a anistia, votamos contra o requerimento de urgência da anistia. Se tiver um projeto com anistia, nós votaremos contra, assim também como o projeto de redução de penas”, disse Gleisi.
As declarações foram dadas após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o relator do projeto que aumenta a faixa de isenção do Imposto de Renda, deputado Arthur Lira (PP-AL). Gleisi cobrou prioridade para a votação da proposta tributária.
Questionada sobre a iniciativa de Motta e do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator de um texto que reduz penas dos condenados do 8 de janeiro, a ministra reforçou que não há negociação nesse tema.
“É uma posição do governo de não tergiversar nesse assunto — nem com anistia nem com redução de penas”, disse.
Paulinho da Força tem buscado apoio entre lideranças partidárias para destravar o projeto, que chegou a ser cotado para votação nesta semana. No entanto, após críticas da oposição e mobilizações populares, a discussão deve ser adiada para a próxima semana.
Além de reiterar a posição do Planalto contra qualquer tipo de perdão, Gleisi também mirou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), alvo de processo no Conselho de Ética da Câmara. O parlamentar foi acusado pelo PT de articular sanções dos Estados Unidos contra autoridades e produtos brasileiros.
“Não tem justificativa ele continuar deputado”, disse a ministra, defendendo a cassação do parlamentar.
Eleito por São Paulo, Eduardo está nos EUA desde o início do ano e tenta exercer o mandato à distância, mantendo reuniões com lideranças americanas. Para Gleisi, essa atuação configura desestabilização das instituições republicanas brasileiras.
