Novo ministro diz que não dialoga com quem “ataca a democracia” e promete levar o governo às ruas
Guilherme Boulos (PSOL) tomou posse nesta quarta-feira (29) como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, em cerimônia no Palácio do Planalto. No discurso, pediu um minuto de silêncio pelas vítimas da megaoperação policial no Rio de Janeiro e afirmou que não pretende dialogar com quem “ataca a democracia”.
“Todos nós estamos acompanhando o que aconteceu no Rio de Janeiro desde ontem. Antes de falar sobre o trabalho na Secretaria-Geral, queria pedir que todos nós fizéssemos um minuto de silêncio por todas as vítimas dessa operação. Policiais, moradores, todos eles”, declarou.
Boulos também associou a origem do crime organizado ao sistema financeiro. “Um presidente que sabe que a cabeça do crime organizado desse país não está num barraco de favela. Muitas vezes está na lavagem de dinheiro lá na Faria Lima, como nós vimos na operação Carbono Oculto, da Polícia Federal”, disse.
Segundo o novo ministro, a missão dada por Lula é “colocar o governo na rua” e ampliar o diálogo social. “Aqui a missão que eu vou ter é dialogar com todo mundo. Mas tem uma exceção: não tem diálogo com quem ataca a democracia e trai o Brasil. Com esses, não tem diálogo. Esses queriam ver a gente morto”, afirmou.
Boulos prometeu priorizar a defesa da redução da jornada de trabalho e criticou o Congresso. “A cada mentira vai ter um desmentido. Nosso papel vai ser expor a hipocrisia desses que dizem ser contra o sistema. Se são contra, por que não apoiam nossa proposta de taxar bilionário e bet, Haddad? Se defendem o povo, por que não vêm junto com a gente para acabar com a escala 6×1?”, questionou.
A cerimônia chegou a ser cogitada para adiamento devido à repercussão da operação no Rio, que deixou ao menos 121 mortos, segundo dados do governo estadual. Integrantes do Planalto avaliaram que seria uma oportunidade para o presidente Lula se posicionar sobre o caso, mas o petista não mencionou o episódio.
A ação gerou tensão entre o governo fluminense e o Executivo federal. O governador Cláudio Castro (PL) cobrou apoio das Forças Armadas e do governo Lula na segurança pública, enquanto auxiliares do Planalto acusaram Castro de tentar transferir responsabilidades e explorar politicamente o episódio.
Estiveram presentes à posse ministros de Estado, parlamentares da base e aliados, como Marta Suplicy e o padre Júlio Lancellotti. Também participaram Gilmar Mendes, do STF, e o ministro da AGU, Jorge Messias.
Boulos substitui Márcio Macêdo e deverá reforçar a articulação do governo com movimentos sociais, especialmente nas periferias. Militante do MTST, o novo ministro foi o deputado federal mais votado em São Paulo em 2022. Segundo auxiliares de Lula, ele deve percorrer o país para fortalecer a base do governo e apoiar a campanha à reeleição do petista em 2026.
