O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) passou a madrugada desta quinta-feira (10) dormindo no plenário do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, em protesto contra o parecer que pede sua cassação. Em greve de fome desde a meia-noite da quarta-feira (9), o parlamentar afirmou estar há “30 horas e 30 minutos fazendo somente a ingestão de líquidos”.
“Essa tática radical é fruto de uma decisão política: não serei derrotado por Arthur Lira e pelo orçamento secreto. Vou às últimas consequências”, escreveu Glauber em seu perfil no X (antigo Twitter), às 6h30 da manhã, afirmando que permanecerá no Congresso até que a decisão final sobre seu mandato seja tomada.
Estou há 30 horas e 30 min. fazendo somente a ingestão de líquidos. Estou no mesmo plenário que votou a minha cassação no dia de ontem. Essa tática radical é fruto de uma decisão politica: não serei derrotado por Arthur Lira e pelo orçamento secreto. Vou às últimas consequências.
— Glauber Braga (@Glauber_Braga) April 10, 2025
O deputado passou a noite no chão, encostado à parede do plenário onde o parecer foi aprovado por 13 votos a 5. O texto, de autoria do relator Paulo Magalhães (PSD-BA), agora segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), caso o deputado recorra. A cassação só será confirmada com ao menos 257 votos em plenário.
Glauber é alvo de processo disciplinar após agredir, em abril de 2024, o youtuber Gabriel Costenaro, integrante do MBL (Movimento Brasil Livre). O parlamentar alegou que foi provocado e intimidado durante o episódio. Costenaro, por sua vez, afirmou que almoçava quando foi abordado e, em seguida, expulso aos pontapés por Braga.
A denúncia foi apresentada pelo partido Novo e encaminhada ao Conselho de Ética pelo agora ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Glauber diz ser vítima de retaliação política. “O parecer é resultado de uma negociação. Lira me persegue desde que entramos com a ação que travou as emendas em 2024.”
Na época, Glauber e o PSOL acionaram o STF, que barrou o esquema de distribuição bilionária de recursos por meio de emendas parlamentares. O deputado acusou Lira de “sequestrar” o orçamento federal, num esquema que, segundo ele, alimenta a base aliada com dinheiro público.
A postura do parlamentar foi vista por aliados do governo Lula como um ato teatral, enquanto oposicionistas avaliam que a cassação pode expor a seletividade do sistema político, em especial sob o controle da esquerda e do STF. A cassação de Glauber Braga, adversário interno do governo, avança com rapidez, ao passo que casos envolvendo figuras aliadas do Planalto ou da cúpula do Judiciário seguem engavetados.
Como em outros episódios, a defesa da democracia por parte de setores progressistas parece ter prazo e CPF definidos.
