Gilmar restabelece prisão de Monique Medeiros no caso Henry Borel
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Gilmar restabelece prisão de Monique Medeiros no caso Henry Borel

Ministro do STF aponta risco à investigação e diz que soltura contrariou decisões da Corte

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes determinou, nesta sexta-feira (17), o restabelecimento da prisão preventiva de Monique Medeiros, denunciada pela morte do próprio filho, Henry Borel, em 2021.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A decisão reverte a soltura concedida pela Justiça do Rio de Janeiro em março, após o adiamento do julgamento do caso pelo Tribunal do Júri. Para o ministro, a liberação da acusada desrespeitou entendimento já firmado pela Corte e comprometeu a condução do processo.

Na decisão, Gilmar Mendes destacou que a gravidade do crime e o histórico de possível interferência no andamento da ação penal justificam a manutenção da prisão. “A gravidade concreta do delito e o histórico de coação de testemunhas justificam a medida para resguardar a ordem pública e a instrução”, afirmou.

O ministro também avaliou que a soltura ocorreu em momento sensível, às vésperas da oitiva de testemunhas. “A liberação da ré em fase próxima à colheita de depoimentos relevantes representa risco à busca da verdade processual”, registrou.

Monique havia deixado a prisão no dia 23 de março, após decisão que considerou haver excesso de prazo na custódia preventiva, já que o julgamento foi adiado. O adiamento ocorreu depois que a defesa do ex-vereador Jairinho abandonou a sessão do júri, o que impediu a continuidade do julgamento.

Para Gilmar Mendes, no entanto, o argumento de demora processual não se sustenta, já que a suspensão do julgamento decorreu de manobra da defesa do corréu. Segundo ele, a revogação da prisão “esvaziou” decisão anterior do STF e representou violação da hierarquia judicial.

O caso remonta à morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021, no Rio de Janeiro. Laudos periciais indicaram que a criança morreu em decorrência de agressões internas, descartando a versão inicial de queda acidental. As investigações apontaram que o menino sofria violência recorrente, atribuída ao padrasto, com conhecimento da mãe.

A defesa de Monique afirmou ter recebido a decisão com “surpresa” e informou que já apresentou questionamentos ao Supremo. Em nota, os advogados sustentaram que a acusada “jamais ameaçou testemunhas” e que a nova prisão pode prejudicar o exercício do direito de defesa, especialmente diante da proximidade do julgamento, previsto para maio.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia se manifestado a favor da retomada da prisão.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade