Frederico Afonso: “STF se perdeu e colapsou a Constituição” - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Frederico Afonso: “STF se perdeu e colapsou a Constituição”

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Por Adrian Almeida

Ex-coronel diz que STF esvaziou a Constituição e opera com “interpretação elástica”

O advogado e professor de Direito Constitucional Frederico Afonso criticou a atuação do STF durante sua participação no programa ALive, nesta quinta-feira (3). Para ele, a Corte Suprema abandonou seu papel de guardiã da Constituição e passou a reinterpretar o texto legal com base em interesses, o que levou ao colapso da ordem jurídica no Brasil.

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O que acontece é que o maior intérprete da Constituição é o Supremo Tribunal Federal e aí sim ele se perdeu”, afirmou.

Frederico explicou que o STF tem adotado uma prática de manipulação interpretativa que chama, em sala de aula, de “hermenêutica elástica”.

É a interpretação da lei aonde se quer chegar, como se fosse um edital de licitação viciado.”

Segundo o constitucionalista, essa distorção jurídica não se limita apenas ao STF. Ele também aponta o Superior Tribunal de Justiça (STJ), especialmente a turma criminal, como outro foco de decisões desconectadas da legalidade básica.

Interpretações que não se coadunam o mínimo do que um aluno aprende nos primeiros semestres da faculdade de Direito”, observou.

Com mais de 26 anos de magistério e vindo da carreira de coronel da Polícia em São Paulo, Frederico disse conhecer a realidade do país na prática e defendeu que a Constituição de 1988 virou “apenas uma folha de papel”. Para ele, a violação do texto constitucional pelo STF destrói o próprio fundamento do Estado de Direito.

Se o maior guardião faz gol contra é a Suprema Corte, você colapsa.”

O professor também fez críticas à perda do devido processo legal, denunciando os embargos auriculares, que são interferências políticas que começam nos tribunais superiores e resultam em distorções jurídicas.

Você tem uma ação contra um Estado que vai dar um impacto financeiro muito grande, mas sofre interferência até não se reconhecer mais o direito líquido e certo”, explicou.

Na área penal, Frederico apontou que o sistema carcerário é usado como artifício retórico por setores progressistas, embora a prática atual envolva “saltos de regime” que acabam em liberdade, e não em endurecimento penal real.

Vejo uma boa fé do Congresso Nacional. Nós temos hoje um Congresso, felizmente, conservador. Mas você tem um Supremo completamente progressista”, disse.

Ele ainda citou a declaração recente do presidente Lula como exemplo da ruptura entre os poderes: “Se eu não acionar o Supremo, eu não governo.” Na avaliação de Frederico, isso representa o rompimento com o princípio constitucional da separação de Poderes.

Você não tem independência alguma. Por ora, eu vejo a Suprema Corte, muitas vezes, sendo uma edícula do Planalto. E, outras vezes, o Planalto sendo uma edícula da Suprema Corte.”

Para o constitucionalista, a solução passa por um Senado mais atuante no controle do STF. “O Supremo Tribunal Federal precisa de um acerto dentro do que determina a Constituição, como guardião da Constituição”, concluiu.

Assista ao programa na íntegra:

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