Flávio cobra governo Lula após ANP liberar empresa citada em investigação do PCC
Brasília, Segunda, 15 de junho de 2026
Política

Flávio cobra governo Lula após ANP liberar empresa citada em investigação do PCC

Senador questiona aval concedido à Liquipar, citada em investigação que apura esquema de combustíveis ligado ao PCC

Flavio Bolsonaro (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
Flavio Bolsonaro (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionou neste domingo (14) a autorização concedida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a ampliação das operações da Liquipar no Porto de Paranaguá (PR). A empresa é citada na Operação Carbono Oculto, que investiga um suposto esquema de fraudes tributárias e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

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Em publicação nas redes sociais, o parlamentar relacionou a medida à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista pelos Estados Unidos, anunciada no fim de maio.

“Faz algumas semanas que os Estados Unidos passaram a tratar o PCC como organização terrorista. A designação saiu no fim de maio. O governo Lula brigou contra essa classificação por meses”, escreveu.

Na sequência, Flávio afirmou que, enquanto isso, um órgão federal teria tomado uma decisão favorável a uma empresa investigada na operação.

“Enquanto isso, no Brasil, uma agência federal fez o caminho contrário. A ANP autorizou a Liquipar a ampliar sua tancagem e seus dutos no Porto de Paranaguá”, declarou.

Segundo autorização publicada pela ANP há duas semanas, a Liquipar recebeu aval para ampliar a capacidade de armazenagem e a operação de dutos no Terminal Aquaviário de Paranaguá.

A empresa aparece na primeira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. De acordo com as investigações do Ministério Público, a Liquipar teria atuado como braço logístico aquaviário de combustíveis ligado aos empresários Mohamed Mourad e Roberto Augusto da Silva, conhecido como Beto Louco. Ambos são apontados pelos investigadores como alvos da operação e permanecem foragidos. Recentemente, firmaram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público da Bahia.

As apurações também indicam que a companhia seria controlada por Cleiton Santana, apontado pelos investigadores como integrante do grupo investigado por suposta sonegação fiscal.

Ao comentar a autorização concedida pela ANP, Flávio Bolsonaro cobrou esclarecimentos do governo federal.

“Uma empresa sob investigação por servir à facção ganhou mais capacidade de operação com autorização do governo federal. Quem autorizou? Com base em quê? O Brasil tem direito a uma resposta. E rápido”, afirmou.

A autorização da agência reguladora, contudo, é contestada pela própria empresa. Em nota divulgada após a repercussão do caso, a Liquipar afirmou que a publicação da ANP não representa uma nova expansão operacional nem flexibilização regulatória.

Segundo a companhia, o procedimento foi iniciado há mais de um ano e teve como objetivo atualizar registros técnicos e regulatórios após a transferência da titularidade da área arrendada. A empresa sustenta que os tanques já possuíam autorização para operar combustíveis das classes I, II e III antes de sua entrada no terminal e que a recente publicação apenas adequou a classificação dos dutos aos produtos já autorizados.

A Liquipar também declarou que todas as exigências técnicas e regulatórias foram cumpridas durante o processo e ressaltou que as investigações da Operação Carbono Oculto não autorizam conclusões sobre irregularidades praticadas pela companhia.

“A Liquipar permanece à disposição das autoridades competentes, colaborando integralmente com os procedimentos institucionais em curso e observando integralmente as normas legais e regulatórias aplicáveis às suas atividades”, informou a empresa.

Os advogados de Mohamed Mourad e Roberto Augusto da Silva também negaram qualquer ligação dos empresários com o PCC.

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