Após reunião no PL, senador diz que composição no Ceará é “muito prematura”
Após reunião do Partido Liberal (PL) realizada na tarde desta terça-feira (2), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) minimizou o desentendimento público envolvendo a presidente do PL Mulher e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal André Fernandes (PL-CE).
Para Flávio, o episódio foi um “ruído de comunicação” e afirmou que as tratativas sobre a composição política no Ceará ainda estão em fase inicial.
“Conversamos ali como adultos, tratamos das peculiaridades do estado do Ceará e ficou claro que o que aconteceu foi um ruído de comunicação”, disse o senador, sobre a divergência gerada pelas declarações de Michelle, que criticou a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB).
O senador ressaltou que tanto Michelle quanto Fernandes são figuras políticas de grande relevância e que o objetivo da sigla continua sendo a construção de uma frente única contra o PT, especialmente no estado do Ceará.
“Michelle fala com o coração e com autoridade, sendo um exemplo para milhões de mulheres no Brasil. Fernandes é um deputado exemplar, que tem nossa total confiança. O que houve foi um ruído de comunicação”, destacou Flávio.
Aval de Bolsonaro
O deputado André Fernandes reforçou que as articulações com Ciro Gomes contaram com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro e que Michelle não tinha ciência completa das movimentações, o que gerou o mal-entendido.
“O presidente Bolsonaro desde sempre é ciente disso, ouve como falou aqui o Flávio, um ruído de comunicação. A eterna primeira-dama, Michelle Bolsonaro, não estava, não teve ciência de toda a movimentação que foi feita, o Flávio estava ciente, o Marinho estava ciente, enfim, e acabou acontecendo aquilo que aconteceu no evento”, declarou Fernandes.
O deputado explicou que as tratativas começaram no segundo turno das eleições em Fortaleza, quando o PL conquistou mais de 700 mil votos, mesmo enfrentando uma máquina política poderosa.
“Nós conseguimos avançar no Ceará e alertar a população sobre o perigo do PT. Continuaremos lutando para tirar o estado das mãos do PT”, afirmou.
Pausa na articulação
No entanto, disse que acatou a nova orientação de Bolsonaro e Waldemar, e que o partido fará uma pausa nas articulações para repensar estratégias para o Ceará.
“Ao que tudo indica, pelo momento nós vamos dar uma pausa, nós vamos repensar, nós vamos analisar um futuro melhor para o Estado. Agradeço a confiança de continuar à frente nessa articulação”, concluiu
Além de Flávio, André e Michelle, a reunião contou também com a presença do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), e o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
“Revelação política”
Marinho classificou o parlamentar cearense como “uma revelação na política” e elogiou sua atuação como deputado federal mais votado do estado.
“Ele já só tem 27 anos, mas quase venceu a eleição na quarta maior cidade do país, não vencendo apenas graças à máquina que se levantou contra ele. É evidente que os movimentos que ele fez no Ceará tiveram anuência do presidente Bolsonaro, mas o presidente foi impedido de se comunicar com seus correligionários”, disse.
O líder da oposição no Senado ressaltou ainda que o PL está trabalhando para fortalecer sua presença em todos os estados, mas com cautela e sem pressa para definir alianças.
“Nossa missão é derrotar o PT e recolocar o Brasil no caminho certo. Isso será feito com a unidade do nosso partido e com decisões tomadas de forma cuidadosa”, afirmou Marinho.
Entenda o Conflito
O atrito teve início no dia anterior, quando Michelle Bolsonaro, durante o evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo cearense, desautorizou publicamente o apoio do PL à pré-candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará. Em sua fala, a ex-primeira-dama criticou o deputado André Fernandes, que havia articulado a aliança com o tucano, afirmando que não poderia apoiar “um homem que é contra o maior líder da direita”.
Em seguida, Fernandes afirmou à imprensa que a ex-primeira-dama interpretou de forma equivocada a movimentação do partido. Os três filhos mais velhos de Bolsonaro também se posicionaram contra a madrasta.
