Declaração da ex-primeira-dama provocou atrito interno; encontro buscará fortalecer alinhamento
O Partido Liberal (PL) marcou uma reunião para esta terça-feira (2), na sede da sigla em Brasília, após a ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, desautorizar publicamente o apoio do partido a Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
A pauta oficial do encontro ainda não foi divulgada, mas fontes internas indicaram ao Portal Claudio Dantas que a declaração deve ser levada à mesa com o objetivo de fortalecer o alinhamento da sigla.
O atrito teve início nesta segunda-feira (1º) durante o evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo cearense.
Na ocasião, Michelle criticou o deputado federal André Fernandes (PL-CE), que havia articulado o apoio do PL ao tucano, afirmando que não é possível “fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita”.
“Eu adoro o André, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita? Isso não dá. Vamos nos levantar e trabalhar para eleger o Girão”, declarou Michelle.
“Eu sou cristã, não vou negociar os meus valores, custe o que custar”, acrescentou.
Em seguida, André Fernandes afirmou à imprensa que a ex-primeira-dama interpretou de forma equivocada a movimentação do partido.
“O próprio presidente, no dia 29 de maio, pediu para ligarmos para Ciro Gomes no viva-voz e ficou acertado que apoiaríamos o Ciro”, declarou o deputado.
Os três filhos mais velhos de Bolsonaro também se posicionaram contra a madrasta.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), designado pelo pai como principal articulador do partido, afirmou ao Metrópoles que Michelle “atropelou o próprio presidente” e agiu de forma “autoritária e constrangedora” com Fernandes.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) concordou com o entendimento.
“Meu irmão Flávio está correto. Foi injusto e desrespeitoso com André Fernandes o que foi feito no evento. Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mau acordo; foi uma posição definida pelo meu pai. André não poderia ser criticado por obedecer ao líder”, declarou.
O vereador Carlos Bolsonaro também endossou a crítica, reforçando a necessidade de respeitar a liderança de Jair Bolsonaro, “sem nos deixar levar por outras forças”.
Michelle Bolsonaro tem percorrido o país em articulações políticas para pré-candidaturas ao Senado e aos governos estaduais e é apontada como possível candidata à Presidência em 2026, ou como vice em uma chapa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
