Rede secreta de Moraes usou TSE para produzir relatórios ilegais sobre presos do 8/1 - Claudio Dantas
Brasília, Sexta, 19 de junho de 2026
Justiça

Rede secreta de Moraes usou TSE para produzir relatórios ilegais sobre presos do 8/1

Moraes manda notificar Eduardo Bolsonaro por edital, desmembra caso e dá 15 dias para defesa em denúncia por coação.

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Documentos apontam que equipe do TSE atuou como serviço de inteligência paralelo

Documentos e mensagens internas vazadas e obtidas pelos jornalistas Glenn Greenwald e Fábio Serapião mostram que a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral foi usada de forma irregular para investigar e traçar o perfil de centenas de presos após os atos de 8 de janeiro.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Sob ordens diretas do ministro Alexandre de Moraes, o grupo produziu certidões positivas e negativas, que são relatórios que serviram de base para decidir quem seria libertado e quem permaneceria atrás das grades.

Investigadores sob supervisão do ministro Alexandre de Moraes teriam utilizado publicações com expressões políticas nas redes sociais para definir quem do 8 de janeiro seria investigado, processado e condenado. Essa evidência de abuso de poder do tribunal, alinhado aos interesses do governo Lula, traz uma série de implicações relevantes para as relações entre Estados Unidos e Brasil, além de impactar as negociações comerciais em andamento.

A operação, conduzida fora das atribuições legais do TSE, transformou a equipe de combate à desinformação em um braço de inteligência paralelo. A missão deles era traçar o perfil de 1.400 detidos, usando qualquer vestígio digital disponível. Essas informações eram encaminhadas ao STF, onde Moraes usava os relatórios como critério para converter prisões em preventivas.

No centro estava Cristina Yukiko Kusahara, assessora-chefe de Moraes no Supremo. Mesmo sem cargo no TSE, ela atuava como representante informal do ministro, orientando os servidores e impondo um ritmo de trabalho descrito como “implacável”.

Kusahara não escondeu sua postura autoritária. Ao responder a questionamentos sobre falhas e falta de preparo técnico, escreveu: “Eu preciso dessa análise, feita com cautela, mas não no ritmo de vocês aí do TSE… Desculpe a expressão… O pessoal aí está mal acostumado”.

As mensagens mostram que ela pressionava pela quantidade de relatórios, deixando de lado a precisão e o respeito ao devido processo legal. As fronteiras entre o STF e o TSE foram ignoradas, criando um ambiente onde ordens informais substituíram procedimentos legais.

Sob esse comando, servidores sem treinamento para atividades de inteligência foram obrigados a atuar na coleta e análise de dados, enquanto decisões sobre a liberdade dos investigados eram tomadas com base em relatórios frágeis e politicamente direcionados.

Nesta segunda (4), os jornalistas Eli Vieira e David Ágape publicaram reportagem com informações novas e exclusivas após apurarem, por meio das mensagens e documentos vazados, que o ministro Alexandre de Moraes usou a AEED para a criação de certidões e relatórios para os casos dos presos do 8 de janeiro.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade