‘Declarar facções como terroristas deixará país vulnerável’
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

‘Declarar facções como terroristas deixará país vulnerável’, diz secretário de Lula

O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, criticou o parecer do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator da proposta, afirmando que o texto “banaliza o terrorismo” e “desestabiliza o sistema penal brasileiro”.
O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, criticou o parecer do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator da proposta, afirmando que o texto “banaliza o terrorismo” e “desestabiliza o sistema penal brasileiro”. Foto: Centro de Comunicação Social/MP-SP

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

Para Sarrubbo, proposta que equipara facções a terroristas deixaria Brasil vulnerável a sanções e violações territoriais

O secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, afirmou que a proposta que equipara facções criminosas a grupos terroristas pode tornar o Brasil vulnerável a sanções internacionais e até a violações territoriais.

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Em entrevista ao Valor Econômico, o ex-procurador-geral de Justiça de SP endossou a posição do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que disse que “terrorismo envolve sempre uma nota ideológica”, enquanto “facções criminosas sistematicamente praticam crimes previstos no Código Penal”.

“O ministro Lewandowski tem toda razão. É algo óbvio. Terrorismo é um conceito diferente, não só no Brasil, mas em todo o mundo. As nossas facções não são terroristas, porque elas não trabalham com viés político, religioso, raça etc. Elas visam o lucro financeiro”, declarou o secretário.

Segundo Sarrubbo, “declarar terrorista servirá apenas e tão somente para deixar o país vulnerável no campo internacional. Vulnerável, insisto, a embargos econômicos e até a violações do nosso território, o que não me parece razoável em contexto algum”.

A visão dele também é compartilhada por ministros como Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência. Ambos afirmam que o chamado “consórcio da paz” — grupo formado por governadores de direita após a megaoperação no RJque deixou mais de 100 narcoterroristas mortos — busca provocar uma intervenção dos Estados Unidos no Brasil, em meio à ofensiva do governo Trump contra cartéis na América Latina.

“Eu espero que o Congresso tenha muita atenção com esse tema para que o debate possa ser feito de forma clara. Qual é o objetivo? Se o objetivo é só aumentar as penas, que se aumentem as penas. Mas essa questão de declarar as facções como terroristas deixa o país numa condição muito vulnerável”, completou Sarrubbo.

“Consórcio da paz”: Gleisi e Boulos acusam governadores de buscar intervenção de Trump no Brasil

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