Alive: Guerra ao crime organizado é civilizacional
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Alive: Guerra ao crime organizado é civilizacional

No Alive, Eduardo Matos afirma que classificação de PCC e CV pelos EUA abre instrumentos para sufocar financeiramente as facções

Alive: Guerra ao crime organizado é civilizacional
Alive: Guerra ao crime organizado é civilizacional. Foto: Reprodução

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O sociólogo e escritor Eduardo Matos afirmou hoje (1º), durante participação no programa Alive, apresentado por Claudio Dantas, que a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode ampliar os instrumentos de combate ao crime organizado e criar novas possibilidades de cooperação internacional.

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Segundo Matos, a medida anunciada pelo governo norte-americano não autoriza intervenções militares em território brasileiro nem afeta a soberania nacional. Ele explicou que a decisão envolve dois regimes jurídicos distintos: um voltado para questões migratórias e outro direcionado ao combate financeiro das organizações criminosas.

“O primeiro desses se refere a questões imigratórias. O segundo se refere ao combate financeiro dessas organizações”, afirmou. “Nenhum desses regimes jurídicos autoriza, a princípio, os Estados Unidos a fazer intervenção no Brasil, mandar tropas ou realizar operações secretas.”

Durante a entrevista, Matos avaliou que a medida pode facilitar o bloqueio de ativos, contas bancárias e bens vinculados às facções, além de ampliar a cooperação entre órgãos de investigação brasileiros e americanos.

Ele citou mecanismos para rastrear recursos ocultados por meio de empresas de fachada, operações internacionais e transações envolvendo criptomoedas.

“Abre a possibilidade de bloqueio de bens, bloqueio de contas e bloqueio de ativos desde o exterior. Também permite mapear recursos que essas facções desenvolveram expertise para esconder”, disse.

Matos afirmou ainda que o Brasil terá de decidir se pretende utilizar os instrumentos colocados à disposição pelos Estados Unidos ou adotar uma postura de confronto diplomático.

“Ele possibilita que o governo brasileiro acione uma coletânea de mecanismos que podem facilitar muito o combate a essas organizações”, declarou.

Ao comentar as reações de setores econômicos à classificação das facções, o sociólogo defendeu que eventuais preocupações sobre impactos regulatórios no sistema financeiro devem ser discutidas tecnicamente.

“É discutir o que os caras estão fazendo lá fora e ver quais controles podem ser implementados aqui para ter um bom resultado”, afirmou.

Na avaliação de Matos, o crime organizado deixou de atuar apenas no tráfico de drogas e passou a ocupar mercados inteiros da economia.

Segundo ele, as organizações criminosas avançaram sobre atividades formais, utilizando empresas legalmente constituídas para operar setores como internet, distribuição de gás e outros serviços.

“O crime não é mais aquele crime que só trafica droga e quer lavar dinheiro. Ele ocupa mercados e territórios”, disse.

O sociólogo também afirmou que o enfrentamento às facções ultrapassa a área da segurança pública.

“A nossa briga hoje com o crime organizado não é mais uma briga social. É uma briga civilizacional”, declarou. “Ela já se entranhou nas nossas instituições em um nível que poucas organizações conseguiram fazer.”

Claudio Dantas, por sua vez, afirmou que os Estados Unidos adotam há décadas estratégias voltadas ao bloqueio de fluxos financeiros ligados ao terrorismo e ao crime organizado.

Segundo o jornalista, a restrição de recursos ilícitos reduz a capacidade das organizações criminosas de corromper agentes públicos, adquirir equipamentos e ampliar sua atuação.

“Quando você interrompe o fluxo de recursos, você interrompe a lavagem de dinheiro. E quando a origem do dinheiro é ilícita, você consegue combater de forma efetiva essas organizações criminosas”, afirmou Dantas.

Assista ao programa na íntegra

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