Fábricas clandestinas em SP e MG abasteciam CV com fuzis %
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Fábricas clandestinas em SP e MG abasteciam CV com fuzis

Esquema de fábricas clandestinas em Minas Gerais e em São Paulo alimentavam o Comando Vermelho Imagem: Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo

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Por Redação

PF descobriu produção de armas que fornecia até 3,5 mil fuzis por ano à facção do Rio

Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema de fábricas clandestinas de fuzis em São Paulo e Minas Gerais que abasteciam o Comando Vermelho (CV). Segundo o Fantástico, da TV Globo, as armas eram produzidas em Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista.

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A fábrica utilizava ao menos 11 equipamentos industriais de precisão, como tornos e fresadoras.

“Fabricava o fuzil por inteiro. Era uma planta industrial profissional. Não era uma fábrica de garagem ou impressora 3D. Eram equipamentos de alta precisão que custavam milhões de reais”, declarou o delegado Samuel Escobar, da PF do Rio.

Em Santa Bárbara d’Oeste, foram apreendidos cerca de 150 fuzis prontos e mais de 30 mil peças para fabricação de novas armas. A linha de montagem tinha capacidade para produzir até 3,5 mil fuzis por ano.

Segundo a PF, Rafael Xavier do Nascimento era o responsável pelo transporte das armas para o Complexo do Alemão e outras áreas controladas por facções e milícias no Rio. Ele foi preso em flagrante na Via Dutra com 13 fuzis. Outro integrante do grupo, Anderson Custódio Gomes, também foi detido levando peças suficientes para a montagem de 80 armas.

A quadrilha mantinha um depósito em Americana (SP) e utilizava como fachada o CNPJ de uma fábrica de peças aeronáuticas registrada em nome de Gabriel Carvalho Belchior, que está foragido e foi incluído na lista da Interpol. De acordo com a PF, Gabriel comprava fuzis nos Estados Unidos e enviava ao Brasil desmontados, escondidos em caixas de piscinas infláveis e outras mercadorias.

O delegado Samuel Escobar explicou que o principal receptor dos fuzis no Rio era Silas Diniz Carvalho, preso em 2023 com 47 armas em seu apartamento na Barra da Tijuca.

“O principal investigado aqui no Rio de Janeiro recebia esses fuzis e vendia para a facção criminosa”, afirmou.

A investigação também identificou uma segunda fábrica da quadrilha em Belo Horizonte, operada por Silas e sua mulher, Marcely Ávila Machado.

“Parecia uma fábrica normal, comum, uma fábrica de móveis, de esquadrias, de portas, mas dentro da fábrica, no interior tinha toda a operação ilícita”, disse Escobar.

A PF estima que o grupo tenha fornecido cerca de mil fuzis para facções do Rio, com ramificações também na Bahia e no Ceará.

Na Operação Contenção, que teve o CV como alvo, a polícia apreendeu 91 fuzis, 26 pistolas, 14 explosivos, além de munições e drogas. Pelo menos 25 fuzis apreendidos foram fabricados em Santa Bárbara d’Oeste.

A operação, a mais letal da história do país, resultou em 121 mortos, sendo 117 suspeitos e 4 policiais, entre eles o chefe da 53ª DP de Mesquita, Marcus Vinicius.

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