A jornalista Karina Michelin criticou a brincadeira de Jair Bolsonaro sobre convidar Alexandre de Moraes para ser seu vice em 2026. “A frase, que pretendia expor a contradição de um ministro que se apresenta como juiz, mas atua abertamente como adversário político, acabou gerando o efeito oposto. Moraes não recuou no seu papel de protagonista do espetáculo”, escreveu no X.
Segundo ela, o tribunal “não julga apenas atos concretos; julga posturas, intenções e, sobretudo, a disposição de resistir”. “O STF, com Moraes à frente, converteu o julgamento em um exercício de pedagogia autoritária: expor, humilhar, isolar e esmagar publicamente quem ousou questionar o sistema.”
O julgamento de Jair Bolsonaro e dos réus do 8 de janeiro tem sido, desde o início, muito mais do que um simples processo judicial: tornou-se uma exibição pública de força, sarcasmo e humilhação, cuidadosamente orquestrada sob o manto da legalidade. O que está em curso não é um… pic.twitter.com/9aGFs3Iwbp
— Karina Michelin (@karinamichelin) June 11, 2025
Os atos de humilhação incluem questionamentos a Anderson Torres e Braga Netto sobre se já haviam sido presos antes, sendo que foi o próprio Moraes quem determinou suas prisões. “Estou preso”, disse o general, para desfrute do ministro: “Eu sei, fui eu quem decretei sua prisão.”
“O que está em curso não é um debate jurídico sério sobre fatos e provas, mas a consolidação de um modelo de poder autorreferente, que já escolheu culpados e agora apenas interpreta o roteiro previamente escrito para condenar.”
Leia também:
Com brincadeira sobre vice, Bolsonaro mostrou ao mundo que Moraes é um cara legal
