Defesa de Tagliaferro acusa Moraes de conduzir julgamento “ilegal” no STF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Defesa de Tagliaferro acusa Moraes de conduzir julgamento “ilegal” no STF

Segundo a defesa, o procedimento virtual fere os princípios da ampla defesa e do contraditório
Foto: Reprodução

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Advogados afirmam que o ministro ignorou pedido de sessão presencial e apresentou voto “pré-elaborado”

A defesa de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusou nesta sexta-feira (7) o magistrado de conduzir um julgamento “ilegal” e de promover “perseguição política”.

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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou a analisar, em sessão virtual, a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-servidor, que é investigado por vazamento de informações sigilosas gabinte do TSE.

Tagliaferro é acusado de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação sobre organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O julgamento teve início às 11h e seguirá até o dia 14. O relator, Alexandre de Moraes, já apresentou voto favorável ao recebimento da denúncia.

Segundo a defesa, o procedimento virtual fere os princípios da ampla defesa e do contraditório. Os advogados afirmam ter solicitado, em 27 de outubro, que o julgamento fosse realizado de forma presencial, com sustentação oral, pedido negado por Moraes.

No dia 3 de novembro, a equipe jurídica apresentou um agravo regimental pedindo a nulidade do julgamento virtual.

Na nota divulgada nesta sexta-feira, os advogados afirmam que o relator “ignorou precedentes do próprio STF e de outros tribunais”, e que o voto apresentado seria “pré-elaborado”, citando a inclusão do nome de um advogado que já havia deixado o caso.

“Causou espécie a esta Defesa ao perceber que no voto lançado nesta data, foi inserido o nome do brilhante e corajoso advogado LUIZ EDUARDO DE ALMEIDA SANTOS KUNTZ, sendo que o mesmo se retirou da Defesa na manhã de 03/11, conforme certidão nos autos da PET 12.839, de 07/11, e-doc 231, que retificou a autuação com os novos advogados”, diz o trecho

“Isso mostra, com toda certeza, que Moraes já TINHA O VOTO PRONTO, há tempos, que sequer teve o cuidado de alterar o nome dos advogados de Defesa, provando que o envio do vídeo serviria apenas e tão somente para “ratificar” a ilegalidade do ato e desmobilizar a Defesa na arguição de NULIDADE do julgamento, por não aceitar a imposição ilegal de julgamento virtual, que viola a ampla defesa, contraditório, e transparência, como arguido no Recurso de Agravo Regimental interposto em 03/11/2025”, acrescenta.

A defesa também rechaçou a oferta de envio de vídeo para sustentação oral e criticou a falta de atuação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Diante do cenário, a defesa afirmou que tomará medidas junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e à Comissão Europeia de Direitos Humanos, considerando a cidadania italiana de Tagliaferro, “bem como entregará, na forma de dossiê às autoridades italianas, a fim de comprovar a perseguição política e prática do crime de tortura, por Moraes e seus fiéis agentes”.

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