O bombardeio, batizado de Midnight Hammer, atingiu as centrais nucleares de Isfahan, Natanz e Fordow — esta última localizada a cerca de 80 metros sob uma montanha. O Pentágono afirmou que foi o maior ataque já feito com bombardeiros B-2.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mesmo sem acesso imediato às instalações, avaliou os danos como “significativos”, com destaque para Fordow, que concentra parte do urânio enriquecido a 60% — próximo do nível militar de 90%. Segundo estimativas, o Irã possui mais de 400 kg de urânio nesse nível, suficiente para fabricar até nove artefatos nucleares.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, descartou novas ações militares e convocou o regime iraniano a negociar o fim do programa de enriquecimento.
A Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI) respondeu que não interromperá suas atividades. “Apesar das conspirações malignas de seus inimigos, não deixaremos que o caminho do desenvolvimento desta indústria nacional […] seja interrompido”, declarou em nota oficial.
Teerã afirmou que conseguiu retirar equipamentos estratégicos antes dos ataques. Analistas ouvidos pelo New York Times indicam que o programa nuclear iraniano, iniciado ainda sob o regime do xá Reza Pahlavi, é visto internamente como símbolo de poder e prestígio nacional — com pouco impacto na geração de energia, mas elevado peso geopolítico.
O especialista Ray Takeyh afirmou que “os cálculos da República Islâmica eram os mesmos do xá: uma expressão de poder e prestígio”. A expectativa é de que a liderança iraniana não ceda ao desmonte do programa, mesmo diante da ofensiva americana.
Nesta segunda (23), o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que o conflito pode ameaçar o regime global de não proliferação nuclear. Ele apelou por diálogo durante reunião de emergência da Junta de Governadores em Viena.
No mesmo dia, o Parlamento do Irã anunciou que elabora um projeto de lei para suspender a cooperação com a AIEA. Segundo o presidente do Parlamento, Mohamad Qalibaf, a agência virou “uma ferramenta política”.
A tensão aumentou após a resolução aprovada pela AIEA em 12 de junho, que acusa o Irã de violar obrigações nucleares. A medida foi proposta por Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos, com apoio de 19 países.
