Reação tardia sugere condescendência com ataque e resolução da ONU pode ser saída para todos
“Não é politicamente correto usar o termo ‘mudança de regime’, mas se o atual regime iraniano não é capaz de TORNAR O IRÃ GRANDE NOVAMENTE, por que não haveria uma mudança de regime?”
A declaração de Donald Trump foi feita em sua rede social ontem à noite, horas depois de China, Rússia e Paquistão protocolarem no Conselho de Segurança da ONU uma resolução exigindo imediato cessar-fogo entre Irã e Israel e logo depois do bombardeio americano às instalações nucleares iranianas.
O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, disse que o ataque enfraquece o regime internacional de não proliferação nuclear. “A China condena fortemente os ataques dos EUA no Irã. Eles violam a Carta da ONU, o direito internacional e a soberania, segurança e integridade territorial do Irã.”
Segundo a resolução, as partes envolvidas devem retomar imediatamente o diálogo. O texto precisa de consenso para aprovação. Ontem, o regime de Ali Khamenei ameaçou retaliar Israel e os EUA alertaram para uma ofensiva devastadora, escalando na retórica.
PROGRAMA NUCLEAR
Apesar da crítica chinesa de que o ataque americano ameaça o regime de não proliferação nuclear, quem primeiro enfraqueceu suas bases foi o próprio Irã, ao violar o TNP e o acordo de 2015, desenvolvendo secretamente novas instalações nucleares e enriquecendo urânio acima do limite para uso pacífico.
China e Rússia têm interesses e influência no Oriente Médio, sendo Teerã um parceiro estratégico, mas a reação tardia sugere uma certa condescendência com o ataque. Ambas são potências nucleares e se beneficiam com o fim do programa iraniano, mas nunca poderão admitir isso oficialmente.
A melhor saída para todos agora é a aprovação da resolução de cessar-fogo. O trabalho já está feito.
