Empresário nega envolvimento em fraude do INSS, mas CPMI vê indícios de enriquecimento ilícito
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Empresário nega envolvimento em fraude do INSS, mas CPMI vê indícios de enriquecimento ilícito

Apesar das suspeitas, Cavalcanti negou veementemente qualquer participação no esquema
Apesar das suspeitas, Cavalcanti negou veementemente qualquer participação no esquema. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), diz que patrimônio milionário é incompatível com renda declarada

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ouviu ao longo desta segunda-feira (6) o empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, ex-sócio do escritório NW Group e um dos principais alvos da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. A investigação apura a existência de um esquema bilionário de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões de segurados do INSS.

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Apesar das suspeitas, Cavalcanti negou veementemente qualquer participação no esquema. “Nunca fui laranja, operador ou beneficiário de qualquer esquema. Minha atuação sempre foi de gestor e os pagamentos recebidos por mim eram compatíveis com todas as funções empresariais que eu desempenhava. Minha saída do escritório já havia sido definida há algum tempo por motivo de transição de carreira por questões de saúde, uma vez que tive depressão durante um tempo em que fiz parte do NW Group”, declarou ao colegiado. 

Entre os bens confiscados pela PF estão uma Ferrari, uma réplica de carro de Fórmula 1, imóveis de alto padrão, uma adega avaliada em R$ 7 milhões, relógios de luxo e dinheiro em espécie. Para o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG) é “impossível” justificar esse estilo de vida com renda declarada. Em entrevista à imprensa após a sessão, afirmou que Cavalcanti é, de fato, investigado como possível laranja de um esquema altamente estruturado, conforme consta em decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.

“Vamos ser diretos, é impossível que uma pessoa que saia de São Paulo debaixo de suspeitas de negociação de emendas parlamentares, ganhando R$ 5 mil por mês, vir para Brasília e chegar a um patrimônio só em carro superior a R$ 20 milhões”, iniciou. “Nós estamos diante de um grupo muito bem organizado que se precaveu com questões supostamente legais em contratos para a prestação de serviço e que agora está montando a sua defesa também dentro dessas prerrogativas de escritórios que conhecem muito bem a legislação”, completou Viana. 

“Quadrilha que saqueou a Previdência”

Outro ponto levantado pelo senador foi a coincidência temporal entre a movimentação de bens e a operação da PF. Segundo o senador, alguns dos veículos do depoente foram levados a shoppings da capital federal, como o Brasília Shopping e o Pier 21, um dia antes da ação policial. Viana classificou o grupo como uma “quadrilha que saqueou a Previdência”, com atuação coordenada, conhecimento jurídico e relações institucionais que atravessaram diferentes governos.

“Possuíam liberdade de acesso aqui ao Senado, à Câmara dos Deputados e faziam doações em campanhas políticas. É um modus operandi já muito conhecido e que a meu ver só demonstra claramente que eles não esperavam em momento algum serem apanhados”, declarou o presidente da CPMI. 

A comissão já aprovou 135 convocações, incluindo empresários, advogados, dirigentes de associações e servidores públicos

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