Relatório final da CPI ignorou denúncias contra empresário ligado a políticos
A CPI das Bets, encerrada no mês passado, recomendou o indiciamento de 16 pessoas por exploração ilegal de apostas, mas poupou Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono da OIG Gaming Brazil e responsável por popularizar o polêmico jogo do tigrinho. Mesmo com denúncias de golpes e grande apelo entre menores de idade, o empresário escapou ileso do relatório final.
Nos bastidores da comissão, parlamentares admitem que as conexões de Fernando com figuras influentes, como o ministro Kassio Nunes Marques, do STF, e celebridades como o cantor Gusttavo Lima, pesaram para o desfecho. A CPI terminou sem apontar responsabilidade direta do empresário, apesar das suspeitas sobre a operação ilegal do caça-níquel digital.
Além da blindagem política, Fernandin OIG viu seus negócios crescerem com apoio institucional. Em junho de 2024, a OIG transferiu sua sede de Teresina para Santo Antônio de Lisboa, no interior do Piauí. O então candidato a prefeito Erivaldo Lopes (PT) havia prometido um pacote de incentivos, que se concretizou com um decreto em fevereiro. Houve redução do ISS de 5% para 1% por dez anos, isenção de IPTU, taxas de aprovação de projetos e alvarás.
Só com a redução do ISS, a OIG deixará de pagar cerca de R$ 70 milhões por ano. A manobra chamou atenção pelo fato de o benefício ter sido moldado sob medida para a empresa, única a se beneficiar até hoje.
A CPI chegou a levantar suspeitas de que a maior parte do faturamento da OIG, estimado em R$ 200 milhões anuais, viria da operação do “jogo do tigrinho”, disseminado de forma irregular no Brasil. Fernando nega ser dono do jogo e afirma que o conteúdo é oferecido por um agregador terceirizado. Segundo ele, tudo é feito “dentro da lei”.
Aos 34 anos, Fernandin OIG construiu uma imagem de ostentação nas redes sociais, exibindo carros de luxo, iate e jato particular. O mesmo avião, avaliado em R$ 60 milhões, já foi usado pelo ministro Kassio Nunes para uma viagem à Grécia.
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