Institutos criticam selo TSE: pesquisa não é bola de cristal
Brasília, Terça, 14 de julho de 2026
Justiça

Institutos criticam selo do TSE: “pesquisa não é bola de cristal”

ABEP afirma que levantamentos medem a intenção de voto no momento da coleta, não o resultado da eleição.

Nunes Marques Vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil
Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

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Por Redação

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, enfrentou resistência de institutos de pesquisa após apresentar a proposta de criação do Selo Acurácia Eleitoral, que pretende reconhecer empresas cujas pesquisas apresentem maior proximidade com o resultado oficial das urnas.

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A iniciativa foi debatida nesta terça-feira (14), em reunião com representantes de 16 institutos de pesquisa. A minuta da portaria ficará aberta para sugestões até 17 de julho, antes de uma decisão sobre a regulamentação da medida.

Em nota, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou a proposta e afirmou que ela parte de uma interpretação equivocada sobre a finalidade das pesquisas eleitorais.

“Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, afirmou a entidade.

Segundo a associação, os levantamentos registram a intenção de voto no momento em que são realizados e não funcionam como previsão do resultado das eleições. A ABEP ressaltou que, entre a coleta de dados e o dia da votação, eleitores podem mudar de opinião, decidir não comparecer às urnas ou alterar seu comportamento.

A entidade também alertou para possíveis efeitos negativos da proposta. Na avaliação da associação, um selo baseado apenas na proximidade com o resultado oficial poderia incentivar institutos a ajustar seus números para acompanhar o consenso do mercado, em vez de refletir fielmente os dados coletados.

“Quando o objetivo passa a ser ganhar um selo de ‘acerto’, o incentivo deixa de ser produzir a melhor pesquisa e passa a ser publicar o número que maximize a chance de receber o prêmio”, diz a nota.

Outro ponto levantado pela ABEP é que a qualidade de uma pesquisa não deve ser medida apenas pela diferença em relação ao resultado das urnas. Para a entidade, fatores como metodologia, desenho amostral, transparência, execução do trabalho de campo e cumprimento das boas práticas científicas são critérios mais adequados para avaliar a confiabilidade dos levantamentos.

Durante a reunião, representantes de institutos também manifestaram críticas à proposta. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, afirmou que o papel das pesquisas eleitorais é acompanhar a evolução da disputa e informar o eleitor ao longo da campanha.

“O objetivo da pesquisa não é acertar o resultado eleitoral. A pesquisa não é prognóstico. O importante da pesquisa eleitoral é acompanhar o período eleitoral, contar a história da eleição e de tudo que vai acontecendo nesse período como uma importante fonte de informação para o eleitor”, declarou ao G1.

Apesar das críticas, a proposta recebeu apoio de parte dos participantes. A AtlasIntel avaliou positivamente a iniciativa, mas defendeu que os critérios técnicos para concessão do selo ainda precisam ser definidos em conjunto com os institutos.

O que prevê a proposta

A minuta apresentada por Kassio Nunes Marques cria o Selo Acurácia Eleitoral, de caráter honorífico, para reconhecer institutos cujas pesquisas apresentem maior aderência aos resultados oficiais da Justiça Eleitoral.

Pelo texto, poderão ser avaliadas pesquisas registradas no TSE e divulgadas ao público, realizadas no dia da votação — as chamadas pesquisas de boca de urna — ou nos sete dias que antecederem o pleito.

Os critérios estatísticos para medir a aderência entre os levantamentos e o resultado das urnas ainda serão definidos em regulamento específico. O TSE receberá sugestões das empresas até o próximo dia 17 antes de decidir sobre a versão final da portaria.

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