O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou como “política genocida” o bloqueio econômico e energético imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha. Em entrevista concedida na embaixada em Brasília, o diplomata afirmou que as novas medidas adotadas pelo presidente Donald Trump agravam a crise energética e comprometem a economia cubana.
“Sem energia, tudo fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio. Um país como Cuba, que precisa de petróleo para gerar eletricidade, simplesmente não pode importá-lo no exercício de seu direito soberano. A soberania do resto do mundo também foi violada pelos EUA, não apenas a de Cuba”, declarou em entrevista para a Agência Brasil.
No dia 29 de janeiro, Trump editou ordem executiva classificando Cuba como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA. O texto prevê tarifas a países que vendam petróleo à ilha. Segundo o embaixador, a medida impede o fornecimento de combustível essencial para geração de energia.
Curbelo afirmou que o país vive sob bloqueio há décadas e que a restrição ao petróleo tem efeitos diretos sobre hospitais, produção de alimentos e transporte. “Dizemos que é uma medida que constitui genocídio declarado”, disse.
De acordo com o diplomata, o governo cubano adotou medidas de austeridade para priorizar serviços essenciais. Ele citou apagões prolongados e ações para proteger hospitais, escolas e residências com pacientes que dependem de equipamentos elétricos.
Cuba também ampliou a geração de energia solar. Segundo o embaixador, foram instalados painéis capazes de gerar 1.000 megawatts no último ano. A energia fotovoltaica passou de 3% para 10% da matriz nacional, representando cerca de 40% da geração diurna.
Ainda assim, o país enfrenta déficit na geração elétrica. Curbelo afirmou que a infraestrutura termelétrica é antiga e que faltam recursos para modernização.
O embaixador também relacionou o bloqueio à crise no turismo. Segundo ele, companhias aéreas enfrentam dificuldades para abastecimento. “O turismo é uma das principais atividades do país para obtenção de divisas. Com as divisas obtidas, importa-se inclusive petróleo. Quando não tem petróleo, não tem combustível para abastecer os aviões que transportam turistas”, afirmou.
Sobre a reação internacional, Curbelo disse haver “rejeição generalizada” à política dos EUA. Citou declarações de apoio da Rússia e da China e o envio de ajuda humanitária por países como México e China.
“O bloqueio é parte de uma política de genocídio”, reiterou. Segundo o diplomata, Cuba mantém disposição para dialogar com os EUA, mas considera “inegociáveis” sua soberania e independência.
