Embaixador de Cuba chama sanções de Trump de “política genocida”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Mundo

Embaixador de Cuba chama sanções de Trump de “política genocida”

Diplomata critica restrições ao petróleo e diz que medidas dos EUA “condenam o povo cubano ao extermínio”

Embaixador de Cuba no Brasil classifica sanções de Donald Trump sobre petróleo como “genocídio” e detalha impactos na energia e no turismo da ilha

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou como “política genocida” o bloqueio econômico e energético imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha. Em entrevista concedida na embaixada em Brasília, o diplomata afirmou que as novas medidas adotadas pelo presidente Donald Trump agravam a crise energética e comprometem a economia cubana.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

“Sem energia, tudo fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio. Um país como Cuba, que precisa de petróleo para gerar eletricidade, simplesmente não pode importá-lo no exercício de seu direito soberano. A soberania do resto do mundo também foi violada pelos EUA, não apenas a de Cuba”, declarou em entrevista para a Agência Brasil.

No dia 29 de janeiro, Trump editou ordem executiva classificando Cuba como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA. O texto prevê tarifas a países que vendam petróleo à ilha. Segundo o embaixador, a medida impede o fornecimento de combustível essencial para geração de energia.

Curbelo afirmou que o país vive sob bloqueio há décadas e que a restrição ao petróleo tem efeitos diretos sobre hospitais, produção de alimentos e transporte. “Dizemos que é uma medida que constitui genocídio declarado”, disse.

De acordo com o diplomata, o governo cubano adotou medidas de austeridade para priorizar serviços essenciais. Ele citou apagões prolongados e ações para proteger hospitais, escolas e residências com pacientes que dependem de equipamentos elétricos.

Cuba também ampliou a geração de energia solar. Segundo o embaixador, foram instalados painéis capazes de gerar 1.000 megawatts no último ano. A energia fotovoltaica passou de 3% para 10% da matriz nacional, representando cerca de 40% da geração diurna.

Ainda assim, o país enfrenta déficit na geração elétrica. Curbelo afirmou que a infraestrutura termelétrica é antiga e que faltam recursos para modernização.

O embaixador também relacionou o bloqueio à crise no turismo. Segundo ele, companhias aéreas enfrentam dificuldades para abastecimento. “O turismo é uma das principais atividades do país para obtenção de divisas. Com as divisas obtidas, importa-se inclusive petróleo. Quando não tem petróleo, não tem combustível para abastecer os aviões que transportam turistas”, afirmou.

Sobre a reação internacional, Curbelo disse haver “rejeição generalizada” à política dos EUA. Citou declarações de apoio da Rússia e da China e o envio de ajuda humanitária por países como México e China.

“O bloqueio é parte de uma política de genocídio”, reiterou. Segundo o diplomata, Cuba mantém disposição para dialogar com os EUA, mas considera “inegociáveis” sua soberania e independência.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade